De estrela Disney a realizadora de filmes pornográficos, Bella Thorne luta contra o ciberbullying

A actriz e realizadora juntou-se ao site de streaming Pornhub para acabar com a “pornografia de vingança”.

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Actriz lançou, em Junho deste ano, o livro "The Life Of A Wannabe Mogul: Mental Disarray" Mario Anzuoni/Reuters

Começou na Disney e celebrizou-se pela sua participação como Cece Jones na série Shake It Up. Hoje, aos 22 anos, a actriz Bella Thorne destaca-se também como realizadora de filmes pornográficos e acaba de anunciar uma parceria com o site Pornhub para o manter limpo de “pornografia de vingança”.

Em entrevista à BBC, Bella Thorne explica agora que a sua intenção ao associar-se ao Pornhub passa por mantê-lo limpo da designada “pornografia de vingança” — vídeos lançados sem autorização das pessoas envolvidas ou nos quais, através de uma técnica de imagem, se coloca a cara de pessoas noutros corpos. Tal como aconteceu consigo: actualmente, circulam vários vídeos de sexo explícito com a ex-estrela da Disney, ainda que nenhum a inclua de facto. Confuso? É que, embora se veja a figura da actriz, os vídeos são deepfakes, isto é, digitalmente alterados e praticamente indistinguíveis de imagens reais, assentes em ferramentas de reconhecimento facial e inteligência artificial. E o facto preocupa Bella Thorne: “Isto [deepfake] não será usado apenas contra a sua celebridade favorita”, mas pode ser “um terreno fértil para a pornografia com menores”.

O anúncio da parceria chega depois de Thorne ter conquistado o prémio revelação nos Pornhub Awards por Her & Him, que, com as estrelas do porno Abella Danger e Small Hands, foi exibido no Festival de Cinema de Oldenburg e está disponível para assinantes premium no site. “Quebrar o tabu do que é classificado como lindo sempre foi um objectivo meu e fico contente por ver [o filme] reconhecido pelo que é… uma arte linda e visionária”, disse, na altura em que venceu o prémio.

Thorne e os inconvencionais métodos de luta contra o ciberbullying

Ser exposta nas redes sociais não é, porém, uma novidade para Bella Thorne que, em Junho deste ano, lançou The Life Of A Wannabe Mogul: Mental Disarray, uma compilação de poemas em que fala de solidão, desespero, da sua pansexualidade, mas também de agressões sexuais — no livro, Thorne detalha um episódio de abuso sexual que sofreu em criança, no qual omite a identidade do agressor, explicando como o medo de que não acreditassem nela a impediu de avançar com uma denúncia

Ainda durante o lançamento do livro, Thorne relata ter recebido mensagens de textos com nudes (auto-retratos nua) seus — tratava-se de fotografias que tinha, no passado, enviado a um namorado —, facto que a levou a sentir-se novamente agredida: “Aqui está, novamente. Outra pessoa que tem a minha vida nas mãos e é capaz de tomar decisões como essas por mim”.

Como forma de terminar aquilo que sentiu como uma chantagem, a actriz optou por escancarar essas imagens nas suas contas de redes sociais — Bella Thorne contabiliza cerca de 22 milhões de seguidores no Instagram; 9,5 milhões no Facebook; e sete milhões no Twitter —, juntamente com as mensagens de texto recebidas em tom de ameaça, numa tentativa de esvaziar o poder de quem lhe tinha feito os envios. Mas a decisão de Thorne não foi consensual. Em antena televisiva, a actriz Whoopi Goldberg, que co-apresenta o programa The View (ABC), condenou a ingenuidade da ex-actriz da Disney. “Se se é famoso — e não quero saber quantos anos se tem — não se anda a tirar fotos nuas de si mesma.” 

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Bella Thorne na estreia de "O Joker", no Festival de Veneza Yara Nardi/Reuters

Thorne não foi complacente com Goldberg, descrevendo os comentários desta como “doentes e, sinceramente, nojentos” pelo facto de estarem a sujeitar uma pessoa que está a sentir-se humilhada e vulnerável a mais vergonha. “Se uma foto do género de uma rapariga ou de um rapaz estivesse a circular na escola deles, e eles se sentissem suicidas, assistiriam comentários como estes [de Whoopi Goldberg] e pensariam: ‘Oh, ok, eu mereço isso’”, reforça.

Pornhub e a vingança do porno

Para Bella Thorne, uma parceria com a Pornhub tem como objectivo acabar com a “pornografia de vingança”. No entanto, falta saber se é intenção da Pornhub acabar com esse nicho aparentemente lucrativo. 

De acordo com uma investigação da BBC News, os proprietários do site de streaming Pornhub lucram com a “pornografia de vingança” e não estão a retirar os vídeos em causa, mesmo depois de os mesmos serem denunciados. No centro da suspeita estão as acusações de uma mulher, identificada como Sophie, que terá sido alertada para a existência de vídeos seus — tratavam-se de filmes domésticos que gravara com o seu ex-companheiro e que, entretanto, foram parar à rede. 

A mulher denunciou os vídeos, que somaram mais de 600 mil visualizações, e o Pornhub terá apagado os mesmos. Mas réplicas dos mesmos voltaram ao site e, numa segunda queixa, os novos vídeos não foram retirados. O grupo #NotYourPorn, citado pela BBC, acusa a MindGeek, que detém o site, de permitir este tipo de conteúdo por lhe trazer maiores receitas com publicidade. Por seu turno, o Pornhub afirma que “condena veementemente” a pornografia por vingança. “Não é do nosso interesse hospedar e obter receita com este tipo de conteúdo ilegal”, disse um porta-voz, citado pela BBC.