Morte de militante da Renamo na província de Tete

Babula Francisco e o marido estavam desaparecidos desde segunda-feira. Renamo diz que foram mortos a tiro por esquadrões da morte. A campanha eleitoral foi das mais sangrentas que há memória no país, com uma média de uma morte por dia.

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Babula Francisco ao centro da foto DR

A Renamo denunciou esta sexta-feira a morte da presidente da Liga Feminina do partido em Zumbo, na província de Tete. Os corpos de Babula Francisco e do marido foram encontrados na quinta-feira, com marcas de tiros e o maior partido da oposição em Moçambique garante que foram vítimas de esquadrões da morte. 

A notícia foi avançada ao correspondente da Deutsche Welle pelo delegado provincial da Renamo, Evaristo Tatamo, que não teve dúvidas em afirmar que por trás das mortes estão razões políticas e que Babula Francisco e o marido foram assassinados por esquadrões da morte.

A campanha eleitoral para as eleições gerais de 15 de Outubro foram das mais sangrentas que há memória em Moçambique com uma média de uma morte por dia, a maioria em desastres de viação com veículos de campanha, mas também vários assassínios. O mais notável foi o de Anastácio Matavele, respeitado activista político e observador na província de Gaza, morto com dez tiros por vários agentes da polícia em Xai-Xai, numa clara demonstração de que os esquadrões da morte continuam a existir no país.

Babula Francisco era candidata à assembleia provincial de Tete pela Renamo, tendo sido raptada na véspera do dia das eleições, numa altura em que estaria a distribuir as credenciais aos delegados do partido que iriam estar distribuídos pelas mesas de voto da província.

A eleição de terça-feira, em que mais de 13 milhões de moçambicanos foram chamados às urnas para escolher o Presidente, os deputados, os membros das assembleias provinciais e, pela primeira vez, os governadores das dez províncias deu a vitória por larga maioria ao actual chefe de Estado, Filipe Nyusi, que se recandidata a uma segundo e último mandato, e ao seu partido, a Frelimo, que governa o país desde a sua independência em 1975.

Apesar dos resultados oficiais só hoje começarem a ser divulgados, as projecções de duas das mais reputadas organizações e plataformas da sociedade civil que acompanharam o processo eleitoral, o Centro de Integridade Pública e a Sala da Paz, dão conta de uma vitória da Frelimo em toda a linha, incluindo a eleição dos dez governadores provinciais.

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