Porque é que o futuro das cidades será sem automóveis

Em Portugal, mais de 50% das viagens de automóvel são feitas entre distâncias abaixo dos 5 km, e mais de 80% entre distâncias até 10 km. A maioria das viagens de carro devem ser substituídas pelos novos modos de transporte como as bicicletas e as trotinetes eléctricas.

No fim de Setembro, o número de vítimas causadas por acidentes com automóveis, chegou ao 1.000.000 em todo o mundo. Só na Europa foi responsável por 25.000 vítimas, a maioria das quais incluía pedestres, ciclistas e crianças que brincavam na rua.

Em Portugal, de acordo com o último relatório da ANSR, os números de acidentes de automóvel não deixam margem para dúvidas: 2018 fica com o registo final de 675 vítimas, representando um aumento de 12% face ao ano anterior e o pior resultado desde 2012. Foram ainda registados 34.200 acidentes rodoviários com vítimas, de que resultaram ainda 1.995 feridos graves e mais de 41 mil feridos ligeiros. A maioria dos acidentes tiveram lugar em zonas urbanas. 

Na Alemanha, no início de Setembro, quatro pessoas - uma delas uma criança - foram colhidas fatalmente por um SUV em Berlim. Este acidente despoletou o debate sobre a urgência em limitar as dimensões dos veículos que entram nas cidades alemãs através de um regulamento federal. Tenho a certeza até pela dimensão dos protestos e pelo número de decisores políticos a entrarem neste debate que vamos presenciar ainda este ano, a limitações drásticas no número carros a entrarem nas cidades da Alemanha. E estas medidas terão efeito dominó nas restantes cidades europeias.

Existe ainda uma outra razão para acreditar que iremos, nos próximos quatro anos, assistir à redução do automóvel nas cidades portuguesas. Na União Europeia, 500 mil cidadãos morrem prematuramente todos os anos devido à poluição do ar. Este número é avassalador e, acredito que estaria na maioria das mentes dos presidentes de câmara presentes na cimeira mundial de autarcas que teve lugar em Copenhaga. Neste encontro, autarcas de 94 cidades de todo o mundo, incluindo Lisboa, comprometeram-se a tomar medidas para reduzir significativamente as emissões poluentes na próxima década.

O futuro é agora e nessa matéria devo elogiar Lisboa, que está a dar passos concretos para reduzir a sinistralidade rodoviária e a diminuição de emissões de carbono na capital. A Visão Estratégica para a Mobilidade de Lisboa 2030 prevê a implementação de medidas de segurança que ambicionem zero mortes nas estradas da capital e a eliminação progressiva dos veículos a gasóleo e gasolina.

Em Portugal, mais de 50% das viagens de automóvel são feitas entre distâncias abaixo dos 5 km, e mais de 80% entre distâncias até 10 km.  Com o crescimento de novas opções de mobilidade, a maioria das viagens de carro podem e devem ser substituídas pelos novos modos de transporte como as bicicletas e as trotinetes eléctricas.

Para isso, é absolutamente necessário as cidades criarem condições para as mudanças de hábitos das pessoas. Não basta proibir a entrada de carros nas cidades, é necessário dar opções às pessoas. Já estão a ser dados passos para facilitar o acesso ao transporte público. Mas a melhoria do sistema de transportes é fundamental e deve ser uma prioridade a criação de ciclovias, de vias que garantam a circulação em segurança para quem usa as novas alternativas de transporte.

As soluções estão à disposição dos autarcas. Do que é as cidades portuguesas estão à espera?