Tsunami Democrátic, a app que coordena os protestos na Catalunha

Movimento criou plataforma de coordenação “de acções pacíficas de desobediência civil” para passar informações aos manifestantes. É aqui que coordenam as acções de rua e os protestos. Só permite aceder através de código QR e por convite.

A noite de ontem foi marcada por protestos
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A noite de ontem foi marcada por protestos Reuters/JUAN MEDINA

Traduzindo, chama-se Tsunami Democrático e está por detrás de protestos em curso na Catalunha. É uma app do movimento com o mesmo nome, Tsunami Democràtic, e apresenta-se como plataforma de coordenação “de acções pacíficas de desobediência civil” para passar informações aos manifestantes sobre os protestos contra a condenação na segunda-feira, pelo Supremo Tribunal, de nove políticos e independentistas a penas de prisão entre os nove e os 13 anos.

Segundo o jornal El País, o movimento activou-se a 2 de Setembro com o apoio do presidente do governo regional, Quim Torra, e do vice-presidente, Pere Aragonès, mais o líder do Parlamento, Roger Torrent - mas desconhecem-se quem são os rostos por detrás da liderança. O grupo faz a sua comunicação nas redes sociais: Twitter, Instagram, Telegram e na “app, a grande desconhecida”, afirmam. É que só se pode aceder à app por convite, para evitar a presença de infiltrados: uma das funções é permitir aos usuários avisarem sobre a presença de polícia, além do local dos protestos.

Na página da Internet diz-se que se pode descarregar a app para Android e não para a iPhone, mas não é possível perceber como funciona. Tem um guia de conselhos básicos sobre excesso policial e maus tratos, pedido de habeas corpus ou direitos na Internet. Não está disponível nas lojas de aplicações mais conhecidas. E é muito mais do que uma forma de avisar sobre a presença de polícia, acrescenta o El Mundo. Tem uma finalidade logística que permite preparar e coordenar protestos e acções ao detalhe, com um calendário com horas específicas e meios de transporte, acrescentam. Depois de descarregada, irá pedir para saber a localização precisa, acesso a fotos e activação do microfone.

É necessário ter um código QR fornecido por alguém para iniciar a app mas, segundo o El País, só permite 10 utilizações. Aquele jornal explica que na app nem toda a gente tem o mesmo nível: há um grupo dirigente que emite mensagens, decide acções e gera e partilha dos códigos QR e milhares de “nós” que recebem a informação e a executam, algo a que a app chama de “gotas”, “um espaço onde podes partilhar o teu compromisso em forma de tempo e recursos; o Tsunami está cheio de gotas”, cita o jornal.  

Especialistas ouvidos pelo El Mundo sublinharam a complexidade de fazer uma app F2F (Friend to Friend, de amigo para amigo, como aquela), isto porque exige um elevado grau de espacialização. “Não foi feita apenas feita em Barcelona, requer muito mais assessoria. Não se faz de um momento para o outro, nem num mês ou dois. A arquitectura requer conhecimentos especiais. Eles sabiam o que estavam a fazer. Podem tê-lo feito menos de 10 pessoas, dois ou três programadores e uns quantos arquitectos de sistemas. Mas tiveram muita assessoria”, disse um dos engenheiros que analisou a app mas quis o anonimato.