“Estas eleições foram totalmente livres e são credíveis”

Abdul Carimo, presidente da Comissão Nacional de Eleições de Moçambique, diz que apesar “das irregularidades encontradas” pelos observadores, estas foram eleições melhores organizadas que no passado.

Foto
Abdul Carimo, presidente do Centro Nacional de Eleições de Moçambique António Rodrigues

O presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) moçambicano critica os críticos do processo eleitoral em Moçambique e garante que as eleições foram justas e credíveis. Abdul Carimo refere que, apesar “das irregularidades encontradas” pelos observadores eleitorais, estas foram eleições melhores organizadas que no passado.

O que tem a dizer sobre as críticas à forma como a CNE tem conduzido este processo eleitoral, nomeadamente quanto à manipulação do recenseamento?
A questão relativa ao recenseamento eleitoral foi devidamente tratada. Foi submetida ao conselho constitucional, chumbou, por vários motivos; no dia seguinte, o mesmo partido (a Renamo) submeteu o assunto à Procuradoria-Geral da República. A nós, como órgão de gestão eleitoral, não resta nada senão aguardar o desfecho do assunto.

E em relação à acreditação dos observadores eleitorais? Muitas acreditações não foram dadas, outras foram dadas só no dia das eleições…
Nós credenciámos 41 mil observadores – ouvimos membros de algumas plataformas a desafiarem os órgãos eleitorais para dizerem que organizações foram credenciadas, temos isso no nosso website, qualquer pessoa pode ir ver. Pessoalmente, ao longo de todo este período, tive vários encontros com estas organizações, solicitando que submetessem os pedidos o mais cedo possível. Falei, inclusive, com os embaixadores que financiam estas organizações, para que disponibilizassem o financiamento com tempo suficiente para estas seleccionarem e treinarem os observadores e reunirem a documentação necessária para a submeter aos órgãos de gestão eleitoral, enquanto estes ainda estivessem com alguma acalmia. Não nos podem exigir na última semana que nos tragam mil ou mais pedidos de credenciação por província e atendermos esses pedidos quando estávamos a lidar com o desafio enorme e crucial que é o aspecto logístico. Se falhássemos o material numa única mesa que fosse éramos crucificados por todo o mundo.

Quase todas as organizações da sociedade civil referem que os observadores em Gaza foram impedidos de desempenhar a sua função. Estive em Xai-Xai com uma organização que recebeu credenciais dos 300 e tal pedidos que submeteu. Tendo em conta as muitas críticas ao recenseamento em Gaza, e aos mais de 300 mil eleitores “fantasma” que dizem as ONG terem sido acrescentados aos cadernos eleitorais, não teria sido bom para a transparência do processo que o governo aceitasse mais observadores?
Este assunto não tem nada a ver com o Governo moçambicano, é bom que se diga e que fique claro. Depois, se são alegações, que nos provem o que dizem. Se forem factos, podemos comentar. Não tenho evidência nenhuma disso.

No que diz respeito à CNE, estas eleições foram justas, livres e transparentes?
Todo o país voltou calma e serenamente, em total liberdade. Desafio a que me mostrem um sítio onde as pessoas foram impedidas de votar ou intimidadas. Na minha óptica, estas eleições foram totalmente livres. Os relatórios dos observadores internacionais apontam várias fraquezas aqui e acolá, mas todos eles dão nota bastante positiva aos órgãos de gestão eleitoral, não obstante as irregularidades encontradas. Se comparar com aquilo que acontecia vai notar que houve uma diminuição drástica de questões que podem constituir irregularidades. E, como responsável desta organização, não posso se não assumir que estas eleições são credíveis.

Pediu 250 milhões de dólares para a organização deste processo eleitoral, conseguiu essa verba?
Todo o fundo que pedimos para a realização desta eleição foi-nos concedido. O processo está a correr o seu curso normal, ainda temos outras despesas para fazer, mas as grandes despesas estavam relacionadas com materiais de votação, meios de transporte e pagamento dos jovens que trabalharam nas mesas de voto.

Os resultados só vão ser anunciados esta sexta-feira quando a eleição foi na terça-feira...
Em cada distrito. A lei prevê que os distritos têm 72 horas para anunciarem os resultados do apuramento distrital.

Três dias para dar resultados não serve para criar tensão?
Esta lei foi aprovada por consenso por todos os partidos representados no Parlamento, se eles acharam que os três dias são necessários é porque conhecem a situação geral do país. Aliás, o país está calmo, não há tensão nenhuma, nem nada que ponha em causa essa tranquilidade.

Sugerir correcção