Quercus e moradores denunciam abate de árvores centenárias em Vila Nova de Paiva

A associação ambiental denuncia o abate de um conjunto de tílias centenárias junto ao edifício da Câmara Municipal para que sejam construídos mais lugares de estacionamento para a feira quinzenal. A autarquia afirma que as árvores põem em causa a segurança dos cidadãos.

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Câmara Municipal Vila Nova de Paiva

A associação ambiental Quercus denunciou esta segunda-feira o abate “iminente” de um conjunto de árvores centenárias no centro de Vila Nova de Paiva. As árvores em questão são seis tílias que foram plantadas em frente ao edifício da Câmara Municipal algures entre 1912 e 1914 pela população local — existe inclusive um registo fotográfico da altura que retrata esta plantação.

Preocupados com o abate destas árvores que “já fazem parte do património, imagem e memória colectiva de Vila Nova de Paiva” para que naquele espaço seja possível criar mais estacionamento e espaço na praça que acolhe a centenária Feira de Barrelas, várias dezenas de moradores e comerciantes da zona decidiram criar uma petição contra o corte destas árvores que já conta com cerca de 600 assinaturas — no início do mês, alguns cidadãos organizaram uma manifestação que teve lugar em frente ao edifício da câmara.

“O impacto desta acção, aos níveis ambiental, patrimonial e paisagístico é muito significativo. Num planeta em que todas as árvores contam para fazer face aos problemas da perda de biodiversidade e às alterações climáticas, este tipo de abate gratuito não faz qualquer sentido”, refere a Quercus em comunicado. A associação ambiental denuncia ainda a destruição de um jardim onde existem diversas árvores de outras espécies, “algumas delas também elas centenárias, que irá dar lugar a um parque estacionamento”. 

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A plantação das árvores entre 1912 e 1914 DR

Contacto pelo PÚBLICO, o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Paiva, José Morgado, explica que as mudanças no centro da vila estão previstas no Plano de de Acção para a Regeneração Urbana (PARU) do Centro de Vila Nova de Paiva, que tem apoio da União Europeia, mas que o abate das árvores nada tem a ver com estas obras. 

“Nós vamos proceder à preservação de todas as árvores que são possíveis de manter, e existem várias que são centenárias na vila, mas estas estão complemente podres, ocas, e com falta de segurança. A Protecção Civil já nos tinha alertado para que estas árvores fossem abatidas”, refere o autarca acrescentando que estas árvores “não foram cuidadas” ao longo dos anos e foram alvo de “poda excessiva” e que, neste momento, “estão em conflito com os edifícios municipais”. 

José Morgado avança ainda que o abate do conjunto de tílias foi avaliado pela equipa que elaborou o projecto, mas que a autarquia fez esta terça-feira um pedido de “estudo das árvores” à Escola Agrária de Viseu que “tem técnicos especializados” para o assunto, realçando que durante a construção de novas ciclovias foram plantadas em vários locais da vila 580 tílias. 

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Protestos dos moradores em frente ao edifício da câmara dr

As obras na zona central de Vila Nova de Paiva deverão decorrer durante o próximo ano com uma preocupação reforçada na adaptação do espaço para a feira quinzenal com “mais estacionamento e instalações sanitárias para pessoas com mobilidade reduzida.

Por sua vez, a Quercus diz que o corte destas árvores só se justifica “em caso de risco iminente de queda, total ou parcial, que possa causar danos em pessoas e bens” e sugere que deve ser feita uma avaliação árvore a árvore “com recurso a especialistas e equipamento próprio”. “Não temos conhecimento de nenhum procedimento deste tipo neste caso de Vila Nova de Paiva, o que não é certamente por falta de recursos uma vez entidades que têm todos os recursos para efectuar este tipo de avaliações, como por exemplo o Instituto Politécnico de Viseu ou a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)”, refere a associação ambiental em comunicado.