Maria do Céu Albuquerque: uma outsider na Agricultura

É a segunda mulher a ocupar o cargo. Com um longo passado como autarca em Abrantes, cidade onde nasceu em 1970, Maria do Céu Albuquerque é uma desconhecida no sector agrícola.

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Maria do Céu Albuquerque vai deixar a secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional para ascender ao cargo de ministra da Agricultura. É a segunda mulher a ocupar o cargo, depois de Assunção Cristas, no tempo do Governo de Passos Coelho. Com um longo passado como autarca no município onde nasceu em 1970, Abrantes, Maria do Céu Albuquerque é uma desconhecida no sector agrícola. Vai ter de governar como a sua antecessora, com o apoio de dois secretários de Estado de perfil mais técnico.

A nomeação para a pesada pasta da Agricultura é uma surpresa. No sector e nos círculos do Governo falava-se na promoção de Miguel Freitas, secretário de Estado das Florestas que teve de apresentar serviço e um programa de reformas impulsionado pela crise dos incêndios. Nos meios mais profissionais, suspeitava-se que o cargo seria entregue a Gabriela Ventura, que geriu até 2014 o Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER), o programa de fundos estruturais para a agricultura.

Gabriela Ventura deixou boas recordações no sector e, não sendo militante do PS, tem uma relação próxima com o primeiro-ministro. Mas o cargo que ocupa, a presidência da EGF (Environmental Global Facilities), que na semana passada foi associada a uma eventual concessão irregular de exploração de lítio em Montalegre pelo programa da RTP “Sexta às Nove” pode ter inviabilizado esta solução.

O perfil profissional de Maria do Céu Albuquerque que melhor encaixa com as funções que vai ocupar resulta da sua ligação a uma autarquia com um forte pendor rural e também aos meses em que geriu o Desenvolvimento Regional. Como o seu maior desafio nos próximos tempos é negociar o quadro de fundos europeus para o sector, cada vez mais vocacionado para o ambiente e a coesão do território, tem pelo menos uma ideia da complexidade das negociações que a esperam e dos domínios prioritários da nova geração das políticas agrícolas europeias.

A descoberto fica, entretanto, a agricultura na sua dimensão produtiva, ou económica. Até porque a agricultura é um sector que nos últimos dez anos revelou uma crescente importância nas exportações. Aí, terá de contar com o apoio de secretários de Estado que conheçam os sistemas agrícolas nacionais, os mercados e os problemas estruturais que continuam a afectar a agricultura e as florestas do país.