Ana Abrunhosa: a ministra que tinha nas mãos a reconstrução depois dos incêndios

Ana Abrunhosa ganhou poder antes de ser ministra, por ser presidente da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Centro.

Ana Abrunhosa será ministra da Coesão territorial
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Ana Abrunhosa será ministra da Coesão territorial paulo pimenta

A mulher que agora sobe ao Ministério da Coesão Territorial tinha em mãos, antes de ser escolhida para ministra, uma tarefa de muitos milhões de euros: foi ela quem ficou responsável pela gestão da reconstrução das casas dos incêndios de 2017. Ana Abrunhosa, de 49 anos, era até agora presidente da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR-C).

Foi neste papel que trabalhou, por isso, de perto com o Governo por causa dos incêndios, o momento que mais abalou o executivo que agora cessa funções. Desde cedo que foi na CCDR-C que António Costa depositou a responsabilidade pela reconstrução das habitações do incêndio de Pedrógão Grande. Ana Abrunhosa viu alargadas as suas competências depois dos incêndios de Outubro, quando trabalhou de perto com os ministérios do Planeamento e Infra-estruturas, então de Pedro Marques, e do Trabalho e Segurança Social, de Vieira da Silva.

Agora passa a ministra, com o primeiro-ministro a declarar que este novo ministério traduz a intenção de “valorização do interior”.

Economista de formação, Ana Maria Pereira Abrunhosa, de 49 anos, nascida em Angola, tem feito carreira na área dos fundos europeus. De acordo com a biografia disponibilizada pelo Governo, é presidente da comissão directiva do Programa Operacional Regional do Centro desde Maio de 2014 e presidente do Comité de Investimento do Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbanas (IFRRU 2020) desde Junho de 2016.

No passado, foi deputada municipal como independente em Meda, na lista do PSD. É um dos nomes que Costa vai buscar fora do PS.

Tendo ficado mais conhecida por ser a responsável pela reconstrução das casas após os incêndios de 2017, Ana Abrunhosa não teve um início fácil na CCDR-C. Nomeada pelo Governo de Passos Coelho, esteve a braços com um processo por difamação e denúncia caluniosa até Maio deste ano, quando foi absolvida. O antigo presidente da estrutura Pedro Saraiva acusava Ana Abrunhosa e o ex-marido desta de o terem difamado ao terem promovido uma denúncia anónima que acabaria por o afastar da CCDR-C. O tribunal decidiu em Maio pela absolvição de Ana Abrunhosa.