Opinião

Cartas ao director

Quem é o quarto pai, António Barreto?

António Barreto (A.B.), na sua coluna de anteontem no PÚBLICO - “Bom dia, democracia!” - entre outras coisas, sugere uma sessão parlamentar de homenagem a Freitas do Amaral. Não deixo de concordar com ele, nesse ponto, e vou mais longe: não entendo a abstenção do PCP no voto de pesar que a Assembleia da República dedicou ao professor e político há dias falecido. Mas fico-me por aí e não posso deixar de achar atrevido quando A.B. junta o nome de Ramalho Eanes aos de Mário Soares, Sá Carneiro e Freitas do Amaral para formar o quarteto dos “pais da democracia”. Se não queria - e penso que não quer mesmo - trazer o nome de Álvaro Cunhal para juntar aos três últimos, ao menos tenha o pudor de reduzir a “paternidade” a um trio. Ramalho Eanes vem depois, embora com papel relevante. Será que o período entre o 25 de Abril e o 25 de Novembro não foi democrático, para A.B.? E se Álvaro Cunhal tentou condicioná-lo (e tentou), não terá sido Ramalho Eanes um mentor da formação dum partido político a partir de Belém? Ou a democracia é “a la carte"? Contenha-se António Barreto, a bem daquela a quem deu o “bom dia” em título de jornal!

Fernando Cardoso Rodrigues, Porto

Depois da “geringonça”, crises à vista

Vicente Jorge Silva, no artigo de opinião que escreveu na edição de domingo do PÚBLICO e com o título acima, comete um erro grave que se tem ouvido falar inúmeras vezes em diálogos diversos, sobretudo com pessoas da dita direita. Refere na parte inicial que “(...) a ‘geringonça’ tornara-se um anacronismo, que apenas se justificou tendo em conta os resultados das legislativas de 2015, que o PS perdeu mas sem que a coligação PS-CDS pudesse formar governo.” 
Como? O “historiador” em mim deu de imediato um pulo na cadeira, para escrever estas linhas! Qual foi a primeira força política que o PR de então, Cavaco Silva, chamou para formar governo? Chamava-se PaF e era precisamente a tal coligação que ganhara as eleições, se formos a olhar para o grupo com maior número de deputados eleitos. Levou sim foi com uma moção de censura, e o resto é conhecido. Como pode um reputado analista/comentador repetir uma patranha ouvida, como digo, vezes sem conta de que o PSD/CDS ganharam as eleições de 2015, mas não foram chamados a formar governo? Vamos ser sérios, nas análises que fazemos e tornamos públicas, é o mínimo que se exige, em nome da verdade histórica da política nacional!
Carlos Gilbert, Porto

Rio Tejo

Discutimos fervorosamente a “geringonca”, o PSD, os golos do Ronaldo, enquanto o rio Tejo morre do lado português. Para que serve a lei dos rios se os espanhóis não a cumprem? Onde está o governo português para defender o que é nosso?

Anabela Santos