Situação no aeroporto de Barcelona “normalizada”. Polícia tentou controlar manifestantes no centro da cidade

Os protestos dificultaram o acesso de passageiros ao aeroporto e a polícia foi obrigada a usar a força para controlar a multidão. Organização dos protestos convocou paralisação para o aeroporto da capital espanhola, que acabou por não acontecer na mesma dimensão. Três pessoas foram detidas ao longo do dia e outras 78 ficaram feridas na sequência dos confrontos.

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Ao início desta noite, milhares de manifestantes estavam concentrados no aeroporto El Prat, em Barcelona, bloqueando acessos e procurando chegar à zona de embarque. A forte presença policial impediu uma eventual ocupação desta infra-estrutura ao início da tarde, mas registaram-se alguns momentos de tensão entre manifestantes e os Mossos d'Esquadra, corpo policial autónomo da Catalunha​. As imagens divulgadas nas redes sociais mostram os confrontos entre os manifestantes e as autoridades presentes no aeroporto.

Até às 23h locais (22h em Lisboa), tinham sido cancelados 110 voos dos mais de mil previstos para esta segunda-feira, anunciava a AENA, responsável pelo tráfego aéreo em Espanha. Flatava ainda confirmar o estado de cerca de 170 voos. Segundo avança o La Vanguardia, durante a tarde e o início da noite 78 pessoas foram assistidas pelo Sistema de Emergência Médica, três deles durante a manhã e 75 no terminal 1 do El Prat. Deste 78, 38 ainda estão a ser assistidos e acompanhados e 40 já tiveram alta. O diário espanhol avança que ao longo do dia foram detidas três pessoas em Lérida​, Mataró e no El Prat.

Por volta das 20h30, os Mossos d'Esquadra anunciaram através do Twitter uma intervenção policial iminente no Aeroporto de Barcelona dizendo que um grupo “com atitudes violentas” se está a barricar e a agir contra as ordens da polícia. “A polícia irá entrar em acção se estas atitudes não pararem. Se estiver no piso 0 do terminal 1 do Aeroporto El Prat, siga as instruções da polícia”, escreveu a força policial.

Segundo o La Vanguardia e o El País, o principal ponto de tensão por volta das 22h era a Via Laietana, no centro de Barcelona. A polícia tentou dispersar os manifestantes. Num vídeo divulgado pelos diários espanhóis, um dos manifestantes grita para a barreira policial “não vos ensinaram que a violência não é a solução?”. Depois de alguns momentos de tranquilidade, a tensão voltou a subir na avenida espanhola: os manifestantes atiraram garrafas e latas às forças policiais porque ouviram a explosão de alguns balões e julgavam que a polícia estava a disparar sobre eles. Noutro vídeo, um dos manifestantes pede que não se atirem objectos uma vez que aquela "é uma manifestação pacífica”.

As mesmas fontes avançaram que a situação nos terminais 1 e 2 do El Prat estava “normalizada” por volta das 22h e que só faltava descongestionar “as vias de acesso a veículos”. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram a destruição deixada pelos protestos. Pelas 23h, poucos manifestantes permanecem no aeroporto e os passageiros começam a dirigir-se para os transportes públicos —​ outros terão de aguardar nas zonas de espera uma vez que os seus voos foram cancelados.

A TMB (Transports Metropolitans de Barcelona) divulga através do Twitter que toda a rede de metro de Barcelona estava normalizada por volta das 22h e que a linha que faz a ligação ao aeroporto de Barcelona também já está reposta. Pelas 22h, quadro grandes estradas permaneciam cortadas (pelas 21h eram dez), três em Barcelona e uma em Tarragona.

Manifestantes saíram à rua depois do anúncio da sentença

O sucesso das primeiras horas de paralisação em Barcelona fez com que a organização dos protestos, a Tsunami Democràtic, convocasse uma semelhante para o aeroporto de Barajas, em Madrid, o que acabou por não se verificar. A organização pedia aos madrilenos “indignados” que imobilizassem 1200 carros nos acessos do aeroporto, de modo a causar transtornos aos passageiros e companhias aéreas. O objectivo era exigir uma “solução política” para o conflito que passe “pelo diálogo e negociação”. No Twitter, a Guardia Civil deixou o aviso para o “grave crime” que constitui o acesso não autorizado a zonas restritas do aeroporto.

Os primeiros manifestantes saíram às ruas minutos após o anúncio da sentença do Supremo Tribunal espanhol. Nove líderes independentistas catalães foram condenados a penas de prisão efectivas pelos papéis desempenhados no referendo de 1 de Outubro de 2017 e posterior tentativa de independência da região. Outros três conseguiram evitar a prisão, apesar de terem sido considerado culpados do crime de desobediência

Um dos primeiros locais de protestos foi a sede da sede da Òmnium Cultural, entidade que promove a língua e cultura catalã. O presidente desta organização, Jordi Cuixart, foi condenado a nove anos e meio de prisão. Na Praça da Catalunha, por volta das 13h locais (menos uma hora em Portugal Continental) eram já perto de dez mil os manifestantes pró-independência. A circulação em algumas linhas de metro foi suspensa pelas autoridades, por questões de segurança. 

O número de pessoas nas ruas subiu em flecha quando os estudantes se juntaram aos protestos. Ruas, avenidas e praças foram decoradas com as cores da bandeira catalã. Os gritos de ordem pediam liberdade para os independentistas condenados.

O El País noticia que a organização das manifestações falsificou 150 bilhetes para que os manifestantes pudessem ultrapassar o bloqueio policial no interior do edifício. O acesso ao aeroporto está limitado a passageiros desde a manhã desta segunda-feira. De acordo com um porta-voz do aeroporto ouvido pelo diário espanhol, as pessoas que conseguiram enganar as autoridades foram identificadas antes de chegarem aos portões de embarque. A polícia tenta também desimpedir as imediações do aeroporto, com recurso a intervenções musculadas. Pelas 18h30, a polícia procurava desmobilizar os manifestantes que ainda incomodavam os trabalhos em El Prat.

Apesar de controlados pela polícia, os protestos tiveram efeitos na circulação aérea: a low cost espanhola Vueling foi obrigada a cancelar 80 voos esta segunda-feira devido aos protestos. Outros 20 agendados para a manhã de terça-feira também já não se irão realizar. O trânsito nas imediações do aeroporto está muito condicionado: muitos passageiros que viajavam de táxi foram obrigados a caminhar centenas de metros até ao edifício, devido ao conjunto de veículos imobilizados nas estradas.

Vários outros ocuparam linhas de comboio, com o objectivo de condicionar a circulação férrea. O líder do Cidadãos, Albert Rivera, partilhou um vídeo no qual se podem ver dezenas de pessoas a caminharem nas linhas de comboio. O político pediu ao Governo espanhol que actuasse e não deixasse “desamparados milhões de espanhóis na Catalunha”. 

Ao início da tarde, os protestos mantinham-se pacíficos, com a excepção de incidentes pontuais rapidamente sanados pelas autoridades. Um destes confrontos deu-se na cidade de Tarragona, a 100 quilómetros a sul de Barcelona. Uma mulher exibia uma bandeira espanhola, dizendo às dezenas de manifestantes que o solo que pisavam era espanhol. Um rapaz roubou-lhe a bandeira, agredindo-a depois a murro quando a mulher tentava recuperar o adereço.

Várias entidades “solidárias com políticos condenados"

Durante esta tarde, as autoridades policiais foram obrigadas a fechar os acessos ao parque Ciutadella, onde está sediado o Parlamento catalão, outro dos locais privilegiados de contestação às sentenças contra os antigos dirigentes. Uma centena de funcionários da Generalitat e de deputados concentraram-se em frente ao Parlamento, numa manifestação silenciosa, exibindo cartazes com fotografias dos dirigentes.

A Federação Catalã de Futebol (CFC) também anunciou a suspensão de todas as actividades, explicando estar “solidária com os políticos condenados” e dizendo ter anulado a disputa de partidas de futebol marcadas para as próximas horas.

Os protestos acabaram por se alargar a outras cidades catalãs e os Mossos de Esquadra estimavam que, ao início da tarde, quase seis mil pessoas estivessem concentradas em frente à delegação da Generalitat, em Girona. As autarquias de Girona e Tarragona suspenderam mesmo as suas actividades institucionais programadas para esta segunda-feira e estão a colaborar com grupos de cidadãos independentes que preparam a leitura de manifestos ao longo da tarde.

Os trabalhadores de hospitais como Clinic, Bellvitge e Sant Pau abandonaram os seus postos de trabalho, para permanecerem em frente aos edifícios, como forma de protesto. Em muitos casos, os funcionários de diversos serviços e sectores nem sequer conseguiram chegar aos locais de trabalho, com importantes vias, como as estradas C-15, C-17 e AP7 a ficarem bloqueadas por marchas lentas de condutores.

O treinador do Manchester City, Josep Guardiola, pediu que a comunidade internacional pressione Espanha para que esta se sente à mesa e se disponibilize a dialogar para encontrar soluções políticas e democráticas para o conflito catalão. Num vídeo com pouco mais de dois minutos, em inglês, promovido pela plataforma que lidera os protestos, Guardiola assinala que a luta não violenta do independentismo catalão não irá parar até que termine a repressão e se respeite o direito à autodeterminação como aconteceu no Quebec e na Escócia.

“Exigimos que o Governo espanhol encontre uma solução política e democrática. O que pedimos é: “Espanha, senta-te e fala”. Pedimos à opinião pública internacional e à sociedade civil que pressionem os respectivos Governos para que intervenham neste conflito para que se encontrem soluções políticas e democráticas”, acentuou o treinador do Manchester City, para quem só há uma saída para o conflito na Catalunha que é o diálogo.