Vitória assegurada do partido conservador na Polónia

Tudo indica que o PiS deverá conseguir repetir a maioria absoluta de 2015, consolidando o seu projecto conservador.

Direito e Justiça
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O líder do PiS, Jaroslaw Kaczynski, tem estreitado laços com Donald Trump LUSA/Radek Pietruszka

O Partido Lei e Justiça (PiS) ganhou as eleições na Polónia e, embora se tratem ainda de resultados provisórios, parece ter condições para manter a maioria absoluta no Parlamento de 460 lugares. Foram as eleições mais participadas desde a queda do Muro de Berlim, em 1989: 63% dos eleitores votaram, o que é um recorde, em comparação com os valores de 40 a 54% nos anos de 1991 a 2015.

O PiS terá 43,6% dos votos, segundo uma projecção da empresa de sondagens Ipsos, o que lhe dá condições para se manter no Governo e continuar com a sua política que combina um profundo conservadorismo com medidas generosas de apoio social, sendo o primeiro partido a romper com as políticas de austeridade dos governos anteriores, diz a Al-Jazira.

A liderança do Partido, encabeçada por Jaroslaw Kaczynski, também tem procurado laços mais próximos com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

Em segundo lugar ficou a Coligação Cívica (que junta a Plataforma Cívica, do antigo primeiro-ministro e actual presidente do Conselho Europeu Donald Tusk), que deverá ter um resultado final a rondar os 27%.

Por sua vez, a Aliança de Esquerda Democrática deverá ter conseguido 11,9% dos votos, seguido do Partido Popular Polaco, com 9,6%. Já o partido de extrema-direita Confederação parece ter conseguido os 5% necessários para entrar no Parlamento – na verdade, a previsão é de que terá 6,4%.

Os resultados definitivos só devem ser anunciados na segunda-feira. 

Analistas acreditam que um novo mandato de quatro anos no poder do PiS vai consolidar os progressos democráticos da Polónia. Há uma especial preocupação com a erosão da independência dos tribunais e dos direitos das minorias, em especial das minorias sexuais, que têm sido alvos preferenciais do Governo desde que chegou ao poder, em 2015. Os meios de comunicação vêem-se também sob um crescente ataque – seguindo um modelo posto em prática pelo Fidesz de Viktor Orbán na vizinha Hungria.