Estados Unidos e China chegam a princípio de acordo. Trump suspende tarifas acrescidas

Donald Trump reuniu-se com o vice-primeiro-ministro chinês esta sexta-feira. Acordo ainda poderá demorar cinco semanas a ser assinado.

Foto
Trump e o vice-primeiro-ministro chinês Liu He Reuters/YURI GRIPAS

Os Estados Unidos e a China anunciaram, esta sexta-feira, uma primeira fase de acordo para terminar com a guerra comercial. Em sequência deste entendimento, o Presidente norte-americano, Donald Trump, suspendeu a implementação de tarifas alfandegárias suplementares sobre importações oriundas da China durante o mês de Outubro. Porém, autoridades governamentais afirmaram que o acordo entre os dois países terá de ser firmado em papel e que uma eventual confirmação de um entendimento ainda irá requerer muito mais trabalho.

O acordo parcial – que cobre a agricultura, o câmbio e alguns detalhes da protecção à propriedade intelectual – representou o maior passo em direcção à resolução de uma guerra de tarifas que se prolonga há 15 meses entre as duas maiores economias mundiais. Este conflito já afectou os mercados financeiros e desacelerou o crescimento económico a nível global. 

Contudo, o anúncio não incluiu muitos pormenores, e Trump avisou que a espera pela obtenção de um acordo escrito poderá prolongar-se durante cinco semanas. “Não assinaremos um acordo sem que possamos dizer ao Presidente o que estará no papel”, afirmou o Secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, durante a reunião de ambos os países com Donald Trump na Casa Branca. 

Com o vice-primeiro-ministro Liu He sentado na Sala Oval, Trump revelou aos repórteres que os dois lados estavam muito perto de colocar um ponto final na disputa comercial. “Existia muita fricção entre os Estados Unidos e a China, agora é uma ‘festa do amor’. Isso é uma coisa boa”, afirmou o presidente norte-americano. 

Trump falou dois dias após importantes negociações em Washington: Steven Mnuchin e o Representante do Comércio norte-americano, Robert Lighthizer, reuniram-se com uma comitiva chinesa liderada pelo vice-primeiro-ministro Liu He. 

O Secretário do Tesouro avançou que Trump decidiu suspender um aumento de taxas alfandegárias de 25% para 30% em importações oriundas da China no valor de 250 mil milhões de dólares, que deveria ter entrado em acção na terça-feira. Mas Lighthizer avisou que Trump ainda não tomou uma decisão sobre as sanções alfandegárias agendadas para Dezembro. 

Questionado sobre essas tarifas, Trump disse: “Acho que vamos ter excelentes acordos para além das tarifas”. O presidente norte-americano insistiu que não ficaria satisfeito com um acordo parcial para resolver o esforço de dois anos para alterar as políticas industriais, de comércio e propriedade intelectual chinesas, que Trump acusa de retirarem milhões de empregos aos cidadãos norte-americanos.