Vitória portuguesa e um luxo de Cristiano Ronaldo

O 699.º golo da carreira de CR7 fo o ponto alto de uma vitória eficiente por 3-0 sobre o Luxemburgo. Qualificação para o Euro 2020 ficou mais próxima.

Foto
A edição do PÚBLICO deste sábado não terá fotografias. Só ilustrações. Assinalamos deste modo a abertura, a 12 de Outubro, da 2.ª Bienal de Ilustração de Guimarães Gabriel Sousa

Não houve grande brilho, mas houve eficácia. A selecção portuguesa ficou nesta sexta-feira mais perto da qualificação para o Euro 2020 com um triunfo por 3-0, em Alvalade, sobre o Luxemburgo. São mais três pontos para uma campanha que não tem sido espectacular, mas que tem cumprido o caderno de encargos com relativa tranquilidade. Já são 11 pontos em cinco jornadas no Grupo B, onde o líder continua a ser a Ucrânia, agora com 16 pontos (e mais um jogo) depois do triunfo caseiro por 2-0 sobre a Lituânia. Uma vitória sobre os ucranianos, em Kiev, na próxima segunda-feira, combinada com uma escorregadela da Sérvia frente aos lituanos e a selecção portuguesa deixa imediatamente de fazer contas.

Longe de fazer uma exibição de gala, a equipa de Fernando Santos fez o suficiente e só teve direito a um luxo que a salvou de uma exibição cinzenta. Essa amenidade veio de Cristiano Ronaldo, quem mais? Primeiro tentou por baixo das pernas do guarda-redes do Luxemburgo, depois ensaiou um pontapé de bicicleta que saiu por cima. Depois, veio finalmente o golo que o deixou a apenas um de completar a sétima centena, e com alta dose de espectáculo. O 699.º golo foi um “chapéu” demasiado alto para o guarda-redes do Luxemburgo lá chegar.

O 700.º talvez seja só uma questão de dias, mas até teria sido simbólico e bonito que tivesse acontecido na mesma noite do 699.º — a escolha de Alvalade não foi, por certo, uma coincidência. Há 17 anos, a 2 de Outubro de 2002, tinha CR7 metade da idade que tem agora, abriu a sua conta de golos não muito longe dali, no relvado do antigo estádio de Alvalade, com a camisola do Sporting, marcando dois ao Moreirense. Nessa altura, era um jovem alto, magrinho e promissor. Hoje, como sabemos, é muito mais que isso. É um insaciável caçador de títulos e de recordes. E por falar em recordes, ficou mais perto de outro, o de número de golos marcados por uma selecção. O iraniano Ali Daei (109) ainda está na frente, Ronaldo (94) vem logo a seguir.

Mas antes de se celebrar mais um grande momento na carreira do avançado da Juventus, a selecção teve poucos motivos para fazer a festa em Alvalade. É verdade que começou a celebrar cedo, com um golo de Bernardo Silva aos 16’, depois de uma entrada em jogo interessante, mas foi o melhor que se viu de Portugal durante quase uma hora. Surgiu na sequência de um contra-ataque em que Nélson Semedo foi lançado pelo flanco direito — o lateral do Barcelona ainda tirou um luxemburguês do caminho, mas perdeu no duelo com o guarda-redes, com a bola a sair dali e a ir ter com o médio do Manchester City, que a encaminhou para o sítio certo.

Mas, mesmo nos melhores momentos, já se tinha percebido que a integração no “onze” de jogadores como João Félix ou Bruno Fernandes ainda é um “work in progress”. Não encaixam na perfeição e isso prejudica a fluidez de jogo e a eficácia. Mas também é preciso dizer que este Luxemburgo, com muitos apelidos de sonoridade portuguesa (e um jogador nascido em Almada, Gerson Rodrigues, um dos melhores), está longe de ser uma selecção “saco de pancada”. É uma equipa que sabe o que tem de fazer em campo e que mostrou coisas muito interessantes. Faltou-lhe mais chegada com perigo à baliza de Patrício (que regressava a Alvalade, um ano e pouco depois de ter rescindido com o Sporting).

Depois do golo e do tal remate que Ronaldo tentou fazer passar por baixo das pernas de Anthony Moris aos 23’, a selecção portuguesa transformou-se num longo bocejo que durou até ao intervalo. Neste período, o Luxemburgo até teve dois remates razoavelmente perigosos, ambos efectuados pelo seu número 10, Vincent Thill, e manteve-se organizada no objectivo de segurar a desvantagem na margem mínima.

Portugal só voltou a acordar na segunda parte. Alguma coisa Fernando Santos terá dito porque o “onze” português, sem qualquer alteração feita ao intervalo, reentrou pressionante e com vontade de deixar o jogo fora do alcance dos luxemburgueses. A partida passou a ser disputada praticamente em metade do campo e Portugal não iria sair dali enquanto a bola não voltasse a entrar. Ronaldo tentou a tal bicicleta aos 51’ depois de um passe de João Félix com a cabeça e, logo a seguir, foi Bruno Fernandes a disparar de longe. Aos 65’, aconteceu o momento de luxo de Ronaldo e, aos 89’, Gonçalo Guedes deu outra cor ao resultado, apenas estando no sítio certo à hora certa. Mas o essencial já estava mais que garantido. Só ficou a faltar mais uma noite histórica de Ronaldo.

Sugerir correcção
Ler 5 comentários