Opinião

O mundo deve apoiar o plano da Turquia para o nordeste da Síria

A Turquia estima que até dois milhões de refugiados sírios voluntariar-se-ão para viver numa área segura de 32 km que se estende do Rio Eufrates até a fronteira entre a Síria e o Iraque.

Durante um telefonema com o Presidente Recep Tayyip Erdogan no domingo, o Presidente Trump concordou em transferir a liderança da campanha contra Estado Islâmico para a Turquia. Em breve, os militares turcos, juntamente com o Exército Sírio Livre, atravessaram a fronteira turco-síria.

George Washington disse que a América deve “ficar longe de alianças permanentes”. Durante anos, os oficiais americanos afirmaram que sua parceria com a organização terrorista afiliada síria do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, Unidades de Proteção do Povo (ou YPG), na luta contra o Estado Islâmico era “tática”. A última decisão de Trump reflete essa visão.

À semelhança dos Estados Unidos, a Turquia não vai ao exterior em busca de monstros para destruir. Mas quando monstros tentam bater à nossa porta e prejudicar os nossos cidadãos, temos que responder. Enviar jovens homens e mulheres para a batalha nunca é uma decisão fácil. Como disse uma vez o fundador da Turquia, Mustafa Kemal Ataturk: “A menos que a vida de uma nação corra perigo, a guerra é assassinato”. Infelizmente, encontramo-nos hoje precisamente nessa situação.

A Turquia não tem ambição no nordeste da Síria, exceto neutralizar uma ameaça de longa data contra os cidadãos turcos e libertar a população local do jugo de bandidos armados.

Tendo sofrido dezenas de baixas em ataques do Estado Islâmico, a Turquia foi o primeiro país a destacar forças de combate para lutar contra os terroristas na Síria. O nosso país também ajudou o Exército Livre Sírio a manter milhares de militantes do Estado Islâmico atrás das grades durante anos. É do nosso interesse preservar o que os Estados Unidos conseguiram e assegurar que a história não se repita.

Resta saber se os militantes do YPG concordarão com a mudança na liderança da campanha. Na verdade, têm duas opções: Se estiverem genuinamente interessados em combater o Estado Islâmico, podem desertar sem demora. Ou podem ouvir os seus comandantes, que dizem que irão combater as forças turcas - nesse caso, não teremos outra alternativa senão impedi-los de atrapalhar os nossos esforços contra o Estado islâmico.

O mundo está interessado no êxito da luta contra o Estado Islâmico sob a liderança da Turquia. Os conselheiros militares americanos, que estão no terreno há anos, merecem regressar às suas casas. Os habitantes locais, muitos dos quais foram forçados ao exílio quando o YPG assumiu o comando, regressam às terras dos seus antepassados. A zona de segurança proposta é boa para a Europa porque abordará o problema da violência e da instabilidade na Síria - as raízes da imigração ilegal e da radicalização. Finalmente, o plano ajuda a Turquia a proteger pessoas inocentes de uma organização terrorista conhecida.

No mês passado, Erdogan revelou os detalhes do plano da “zona de segurança” da Turquia na Assembleia Geral das Nações Unidas. A Turquia estima que até dois milhões de refugiados sírios voluntariar-se-ão para viver numa área segura de 32 km que se estende do Rio Eufrates até a fronteira entre a Síria e o Iraque. Se a fronteira sul da zona de segurança chegar à linha Deir Ezzor-Raqqa, esse número poderá atingir três milhões, incluindo os refugiados atualmente na Europa.

A Turquia basear-se-á nas suas experiências passadas no norte da Síria para manter a zona segura e estável. Acreditamos que o povo sírio está melhor equipado para se governar a si próprio através de conselhos locais eleitos. É crucial apoiar e promover a representação política local, a fim de evitar o ressurgimento do Estado Islâmico no nordeste da Síria. Em zonas predominantemente curdas, como Afrin, a Turquia supervisionou a criação de órgãos de governação locais de maioria curda. O mesmo se aplica às partes predominantemente curdas do nordeste da Síria. O nosso objetivo é complementar esses passos com investimentos internacionais em infra-estruturas para escolas, hospitais e habitação.

A América tem suportado o peso da campanha contra o Estado Islâmico por muito tempo. A Turquia, que tem o segundo maior exército da NATO, está disposta e é capaz de assumir agora a liderança e levá-la para casa, trazendo milhões de refugiados de volta à Síria durante o processo. Nesta conjuntura crítica, a comunidade internacional deve apoiar os esforços de reconstrução e estabilização da Turquia.

Director de comunicação da presidência da Turquia