Detidos dois colaboradores do advogado pessoal de Donald Trump

Lev Parnas e Igor Fruman foram acusados de violação das leis de campanha eleitoral. Estão ambos envolvidos no plano da Casa Branca para forçar a abertura de uma investigação contra Joe Biden na Ucrânia.

Rudolph Giuliani é considerado o pivô do plano para pressionar a Ucrânia
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Rudolph Giuliani é considerado o pivô do plano para pressionar a Ucrânia Reuters/MIKE SEGAR

Dois colaboradores de Rudolph Giuliani, o advogado pessoal do Presidente dos Estados Unidos, foram detidos e vão ser ouvidos ainda esta quinta-feira num tribunal do estado norte-americano da Virgínia. Lev Parnas e Igor Fruman ajudaram Giuliani no plano para pressionar a Ucrânia a investigar Joe Biden, um dos mais fortes candidatos a enfrentar Donald Trump nas eleições de 2020.

Parnas e Fruman são acusados de “conspirarem para contornar as leis federais contra a influência estrangeira” na campanha eleitoral de 2016, em que Trump venceu a candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton.

Segundo a acusação, citada pelo Washington Post, os dois homens são suspeitos de participarem num esquema “para canalizar dinheiro estrangeiro para candidatos a cargos federais e estaduais, com o objectivo de exercerem uma potencial influência sobre os candidatos, as campanhas e os gabinetes dos candidatos”.

Parnas, de 47 anos e natural da Ucrânia, doou 50 mil dólares para a campanha de Donald Trump em 2016. Em 2018, o seu nome reapareceu associado a Rudolph Giuliani para facilitar uma vídeochamada entre o advogado pessoal de Trump e o então procurador-geral ucraniano, Victor Shokin; e, em Janeiro de 2019, Parnas e Igor Fruman ajudaram também a organizar uma reunião entre Rudolph Giuliani e o sucessor de Shokin, Iuri Lutsenko.

Victor Shokin é uma figura central na acusação do Presidente Trump contra o seu adversário político Joe Biden. Segundo Trump e Giuliani, Biden exigiu a demissão de Shokin, em 2016, para que a empresa onde o seu filho Hunter trabalhava deixasse de ser investigada. As informações disponíveis não comprovam essa acusação – tal como Joe Biden, então vice-presidente dos EUA, também senadores do Partido Republicano e líderes de países europeus pediram a demissão de Shokin na altura, acusando-o de estar a bloquear o combate à corrupção na Ucrânia.

Em Julho, o Presidente Trump falou ao telefone com o Presidente ucraniano, Volodimir Zelenskii, e pediu-lhe que ordenasse uma investigação criminal contra Joe Biden e o seu filho, Hunter. Essa conversa – e uma denúncia mais alargada feita por um agente da CIA – levou o Partido Democrata a reforçar as investigações na Câmara dos Representantes contra o Presidente norte-americano, que podem resultar num processo de impugnação.

Por causa do seu envolvimento neste caso relacionado com a Ucrânia, Parnas e Fruman já tinham sido convidados pela Câmara dos Representantes a entregarem todos os documentos que têm em sua posse, e estavam agendadas audições com os dois esta quinta-feira e na sexta-feira.

Não se esperava que os dois colaboradores de Giuliani comparecessem às audições de forma voluntária, e a Câmara dos Representantes estava já a preparar intimações para forçar a presença de ambos.