Livros estão “novamente em crescimento”

Indústria com 20 mil trabalhadores perspectiva um ano com facturação estável ou até “a subir ligeiramente”.

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Adriano Miranda

O presidente da Associação Portuguesa das Indústrias Gráficas do Papel (Apigraf) disse à Lusa que o sector enfrenta desafios, nomeadamente no que respeita ao futuro da impressão de jornais, mas que a área de livros “está novamente em crescimento”.

A Apigraf realiza na sexta-feira e no sábado o encontro anual, em Évora, onde empresas e profissionais vão debater o estado do sector gráfico e os desafios do mercado.

O sector gráfico em Portugal emprega cerca de 20.000 trabalhadores e conta com mais de 2700 empresas, representando 4% da indústria transformadora.

Tem um volume de negócios de 2200 milhões de euros por ano, sendo que 600 milhões de euros correspondem a exportações, segundo a Apigraf​.

Do total das exportações, metade são indirectas, ou seja, resultam da venda ao exterior por parte dos clientes.

“A indústria gráfica vai ter um ano positivo”, afirmou, salientando que deverá manter o valor da facturação ou até “subir ligeiramente”.

“O sector gráfico em Portugal tem diferentes áreas com bom desempenho”, entre elas as de embalagens, rótulos e etiquetas. Também a do livro, que “está novamente em crescimento em todo o mundo”, disse Pedro Lopes de Castro, presidente da Apigraf​.

Do lado negativo, estão os jornais, área que “não está a passar nada bem” neste momento, afirmou. “O jornal é que infelizmente está mal”, com os “indicadores a dizerem que vai continuar”, acrescentou o responsável. “O problema dos jornais é a falta de leitores”, o que se traduz “na falta de publicidade”.

Questionado sobre qual a solução para a área do jornal, o presidente da Apigraf disse “não estar a ver” uma resposta neste momento.

Nos últimos cinco anos, “os jornais têm vindo a descer, não só em termos de tiragens, como também em número de títulos”. Além disso, “a reconversão de uma gráfica de jornal não é fácil”, aliás, “normalmente a crise quando entra numa gráfica de um jornal é para encerrar e não para reconverter”, explicou Pedro Lopes de Castro.

“Felizmente, nenhuma encerrou em Portugal nos últimos cinco anos”, afirmou. Além de não haver muitas gráficas do género em Portugal, as que existem ajustaram-se às necessidades do mercado, referiu.

Em termos gerais (que inclui todo o tipo de gráficas), “encerraram muitas na Europa”, sendo que no caso de Espanha fecharam “à volta de 40%” devido ao fenómeno de sobrecapacidade.

Em Portugal, no mesmo horizonte temporal, deverá ter rondado à volta dos 10%, segundo o responsável.

Já no caso das revistas, que “têm um ciclo de vida diferente”, os indicadores de que a Apigraf dispõe apontam para que esteja a ter um bom desempenho. “Está bem e continua a ter títulos novos”, afirmou o presidente da Apigraf​, salientando que o digital não teve o impacto na revista como teve no jornal.

Quem também tem um desempenho positivo é o livro, “que está a crescer em papel”. Por exemplo, na Holanda “está a crescer acima da média (8%), enquanto na Europa o crescimento de 5%”, disse.

Pedro Lopes de Castro explicou que o facto de o “ebook [livro electrónico] não ter tido o sucesso que ameaçava” e de o telemóvel “ter sido o aparelho que ganhou espaço” entre os tablets e outros dispositivos móveis, “está a permitir que o livro se imponha com as suas virtualidades”.

Um dos grandes desafios é saber como responder “à redução da quantidade”, ou seja, hoje em dia a tendência é fazer microtiragens em vez de em massa.

“Cada vez mais se aposta em quantidades pequenas em todas as áreas”, explicou.

Criada em 1852, a Apigraf cumpre 170 anos de vida em 2022, altura em que haverá iniciativas para comemorar essa data.

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