RIBA Stirling Prize distingue pela primeira vez um projecto de habitação social

Prémio do Royal Institute of British Architects foi este ano atribuído a um conjunto de habitações sociais em Norwich. “Uma obra-prima de modéstia”, classificou-o o júri.

,Instituto Real de Arquitetos Britânicos
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Complexo habitacional Goldsmith Street, em Norwich DR

Pela primeira vez desde que foi criado em 1996, o prémio do Royal Institute of British Architects – o RIBA Stirling Prize, destinado à arquitectura construída no Reino Unido – foi este ano para um projecto de habitação social, marcado por uma clara preocupação ambiental. O projecto distinguido é o complexo habitacional Goldsmith Street, em Norwich, uma banda de 105 apartamentos projectados pelo atelier Mikhail & Annalie Riches, com Cathy Hawley, para esta cidade do Leste de Inglaterra.

O júri do prémio que homenageia o arquitecto britânico Sir James Frazer Stirling (1926-1992), presidido por Alan Jones, classificou Goldsmith Street, uma construção promovida pelo Norwich City Council, como “uma obra-prima de modéstia” e simultaneamente “um farol de esperança”. De facto, este complexo de mais de uma centena de apartamentos maioritariamente de dois pisos, mas com três andares nos remates de cada banda, foi pensado e projectado para responder aos tempos de emergência ambiental e climática que vivemos, seguindo mesmo o Padrão Passivhaus, um acordo internacional para uma arquitectura sustentável.

As casas da Goldsmith Street são amigas do ambiente nos mais pequenos detalhes: são viradas a sul para aproveitarem o máximo da luz solar, com uma poupança de energia que pode atingir os 70% quando comparada com a de uma casa tradicional; têm telhados inclinados, para não tapar o sol aos vizinhos; têm paredes com mais de 60 centímetros de espessura; e até as caixas de correio são colocadas no exterior para reduzir a entrada de correntes de ar nas portas…

“Não acontece muitas vezes sermos chamados a trabalhar em projectos tão estreitamente alinhados com aquilo que acreditamos ser importante: casas que agradem às pessoas, mas que tenham um impacto baixo no meio ambiente”, disse à BBC o arquitecto David Mikhail, numa reacção ao prémio. E acrescentou esperar que, na sequência do RIBA Stirling Prize deste ano, outras autoridades locais se sintam mobilizadas para “oferecer belas casas para as pessoas mais necessitadas, e a um preço acessível”.

Ao justificar a atribuição do prémio deste ano, o presidente do júri lembrou que, “perante uma emergência climática global, a pior crise habitacional em gerações e os cortes danosos nos orçamentos das autoridades locais, a Goldsmith Street é um farol de esperança”. E Alan Jones elogiou o projecto do atelier Mikhail & Annalie Riches, “não apenas como um programa transformador de habitação social e de eco-desenvolvimento, mas também como um exemplo pioneiro para outros responsáveis locais seguirem”.

A decisão do RIBA Stirling Prize deste ano contrasta de forma clara com a do ano passado, por exemplo, quando distinguiu a sede europeia da Bloomberg, no centro de Londres, um projecto de [Norman] Foster + Partners, cuja construção – recorda o The Guardian – obrigou à importação de 600 toneladas de bronze do Japão e de uma pedreira de granito da Índia.

Este ano, entre os seis finalistas do prémio encontravam-se a nova estação de transportes de London Bridge (atelier Grimshaw), a Nevill Holt Opera, em Leicester (Witherford Watson Mann Architects), ou uma destilaria na Escócia, The Macallan Distillery and Visitor Experience (Rogers Stirk Harbour + Partners).