Costa já marcou reuniões com partidos de esquerda para quarta-feira

O socialista Pedro Nuno Santos fica fora da equipa que irá negociar os acordos entre o PS e os restantes partidos de esquerda e com o PAN.

António Costa
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O secretário-geral socialista deverá ser indigitado primeiro-ministro esta terça-feira Daniel Rocha

António Costa, que deverá ser indigitado primeiro-ministro já esta terça-feira, pediu aos partidos de esquerda e ao PAN para reunir na quarta-feira, iniciando os contactos formais que anunciou na noite de domingo. Na lista de partidos com encontros agendados com o líder socialista estão o Bloco de Esquerda, o PCP/PEV, o PAN e o LIVRE. Os convites saíram para os vários partidos, confirmou o PÚBLICO, ao final da noite, altura em que António Costa definiu a equipa que vai levar para as primeiras conversas com os partidos e há uma substituição de fundo a notar: Pedro Nuno Santos sai de cena para dar lugar a Duarte Cordeiro, escreveu o Observador, notícia confirmada pelo PÚBLICO.

Duarte Cordeiro estreia-se nestas conversas, depois de ter substituído Pedro Nuno Santos na secretaria de Estado dos Assuntos Parlamentares. Para a equipa inicial, segue o presidente do PS, Carlos César e a secretária-geral adjunta, Ana Catarina Mendes.

Há quatro anos, depois das conversas iniciais, decorreram várias reuniões de trabalho em que entrava também Mário Centeno, o homem das contas. Em 2015, António Costa reuniu com os partidos em dias diferentes. O PCP foi o primeiro partido a ser visitado. 

Já esta segunda-feira, fonte do PCP confirmou ao PÚBLICO que o partido “foi contactado” para a marcação de uma reunião, mas escusou-se a falar sobre datas ou mesmo sobre a autoria do contacto. 

No entanto, atendendo à forma de funcionar nestes últimos quatro anos, os contactos iniciais ou em situações mais delicadas (como na lei de bases da Saúde, por exemplo) eram feitos directamente, ao mais alto nível, ou seja, entre António Costa e Jerónimo de Sousa.

Foram também os dois que chefiaram as delegações que se encontraram há quatro anos, na sede do PCP. Ora, é expectável que, à semelhança dos encontros que antecederam os acordos de Novembro de 2015 em que participaram António Costa e Jerónimo de Sousa, a comitiva comunista integre também o líder parlamentar e deputado João Oliveira, o deputado Francisco Lopes e Jorge Cordeiro. Todos são membros da Comissão Política do Comité Central do PCP.

Também o Bloco e o Livre confirmaram ao PÚBLICO ter sido contactados pelo PS, mas não adiantam ainda informações sobre os horários dos encontros.

Esta noite, no programa Prós & Contras da RTP, a deputada do BE Mariana Mortágua defendia que as reuniões deveriam começar “quanto mais cedo, melhor” e quer que as reuniões sejam “quanto mais pormenorizadas, melhor”, lembrando que em 2015 houve vários grupos de trabalho para debaterem as medidas em pormenor. Do lado dos bloquistas, ainda não é público qual será a formação da delegação negocial, mas é expectável que Mariana Mortágua integre as negociações.

Sem nomes, mas com “quatro pilares centrais”, os bloquistas vão para o encontro já com as suas condições estipuladas publicamente pela voz de Catarina Martins no seu discurso de domingo. Na lista de “pilares essenciais” em que o Bloco espera encontrar convergência com o socialistas estão: as alterações à legislação laboral, a protecção do Serviço Nacional de Saúde, a protecção dos “serviços públicos em todo o território, incluindo a recuperação do controlo público dos CTT” e mais investimento público, nomeadamente na resposta à crise da habitação, dos transportes e da emergência climática”.

As conversas do PS com os parceiros começarão assim logo depois de António Costa ser indigitado primeiro-ministro e depois de tanto o BE como o PCP reunirem as suas direcções políticas. A comissão política do BE esteve reunida esta noite a o comité central do PCP reúne esta terça-feira. No caso do PS, não estava hoje agendada qualquer reunião da direcção do partido de modo formal.

Como já havia anunciado há um ano, e ao contrário do seu antecessor Aníbal Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa não exigirá acordos escritos para uma solução governativa com garantias de estabilidade. O Chefe de Estado acredita que não terá objecções por parte dos partidos eleitos e que poderá indigitar o líder socialista como primeiro-ministro.