Autoridades investigam descarga nas margens do rio Tinto

Câmara de Gondomar classifica acontecimento como “acto de vandalismo” e “crime ambiental”.

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Goncalo Dias / ARQUIVO

A rede de saneamento de Gondomar registou esta terça-feira uma descarga de concentrado de detergente de origem desconhecida, situação reportada às autoridades para investigação, indicou a autarquia local e a empresa de águas.

Contactada pela agência Lusa, a empresa Águas de Gondomar confirmou que foi registada uma “descarga de substâncias tensioactivas, tais como detergentes e derivados”, mas garantiu que a situação foi controlada no interior da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) do Meiral.

“Apesar da grande quantidade de espumas formada, foi possível assegurar a sua contenção no interior do recinto da ETAR”, refere resposta da empresa.

A situação ocorreu a montante da ETAR do Meiral, concelho de Gondomar, distrito do Porto, ou seja, perto das margens do rio Tinto.

A Câmara de Gondomar publicou, sobre uma situação que descreve como “acto de vandalismo” e “crime ambiental”, uma nota no seu site oficial, avançando que a ocorrência foi reportada às autoridades e à Agência Portuguesa do Ambiente.

“A Câmara de Gondomar está atenta e lamenta este acto que pretende manchar o projecto de interceptor do rio Tinto, que permitiu, num projecto conjunto dos municípios de Gondomar e do Porto, revitalizar as margens, devolvendo-as à população, tratar o leito, e unir o centro de rio Tinto ao rio Douro e ao Freixo, atravessando o parque Oriental do Porto e permitindo ligar quer ao percurso do Polis de Gondomar quer à marginal do Porto até à Ribeira”, lê-se na publicação.

Já a Águas de Gondomar descreveu, à Lusa, que foi feita a limpeza das espumas, bem como recolhidos efluentes para controlo analítico com vista “a tentar perceber a natureza dos produtos indevidamente lançados na rede pública, bem como a eventual deterioração causada pelo mesmo ao nível da qualidade do processo de tratamento”.

A empresa soma às diligências e organismos citados pela Câmara de Gondomar, o envio de uma denúncia ao Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA).

“A grande extensão da rede pública de colectores e emissários torna possível e imprevisível a realização de descargas pontuais, de curta duração, a qualquer hora do dia ou da noite, sem detecção e identificação dos infractores”, lamenta a Águas de Gondomar.

A prevenção, segundo a empresa, passa também pela sensibilização da população para “a pronta recolha de informação e denúncia de situações que pareçam suspeitas, e que possibilitem a tomada de medidas antes desses efluentes entrarem na ETAR”, prevendo-se também “a actuação das autoridades relativamente aos infractores que venham a ser confirmados”.

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