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EUA reforçam lista negra das tecnológicas chinesas

Casa Branca justifica decisão com a defesa dos direitos das minorias muçulmanas na China, mas a decisão ocorre precisamente na véspera de uma nova ronda de negociações comerciais entre os dois países.

Câmara de video vigilância da Hikvision, instalada em Pequim
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Câmara de video vigilância da Hikvision, instalada em Pequim Reuters/JASON LEE

Nas vésperas do reinício das negociações comerciais com Pequim, os Estados Unidos anunciaram esta segunda-feira ao fim do dia a inclusão de algumas das mais importantes tecnológicas chinesas na lista de empresas impedidas de comprar componentes produzidos por firmas norte-americanas, um movimento que veio esfriar as expectativas dos mercados relativamente à possibilidade de os dois países colocarem brevemente um ponto final no conflito comercial iniciado há 15 meses.

O anúncio foi feito pelo Departamento do Comércio norte-americano e alarga o número de entidades chinesas visadas pela lista negra que Washington usa para penalizar o sector tecnológico do gigante asiático. Desta vez, foram colocados na lista oito empresas a trabalhar na área da inteligência artificial e da segurança, incluindo a empresa de videovigilância Hikvision e as empresas de reconhecimento facial SenseTime e Megvii Technology. Também 20 agências de segurança pública chinesas foram visadas pela medida.

Esta decisão, tomada dois dias antes do reinício, esta quarta-feira, das rondas negociais destinadas a obter um acordo comercial entre os dois países, foi vista por diversos analistas como uma forma de os EUA colocarem uma ainda maior pressão sobre os responsáveis políticos chineses para que estes cedam às exigências da Casa Branca.

No entanto, os responsáveis do Departamento do Comércio, ao anunciarem a medida, fizeram questão de afirmar que o alargamento da lista negra não está relacionado com as negociações comerciais em curso, sendo antes uma penalização pela forma como a China está a tratar as suas minorias étnicas, utilizando precisamente as empresas de tecnologia de segurança agora visadas.

No comunicado publicado esta segunda-feira, as autoridades norte-americanas dizem que as entidades colocadas na lista negra “têm estado envolvidas em violações de direitos humanos e abusos na implementação da campanha de repressão da China, em detenções em massa arbitrárias e em vigilância de alta tecnologia contra os uigures, os cazaques e outros membros de grupos minoritários muçulmanos”.

A medida pode afectar o negócio de algumas das maiores empresas tecnológicas chinesas. A Hikvision é uma das principais fabricantes de equipamento de videovigilância do mundo, tendo neste momento um valor de mercado próximo de 38 mil milhões de euros. Um porta-voz da empresa nos Estados Unidos criticou a decisão da Casa Branca defendendo os esforços que a Hikvision terá feito recentemente no capítulo dos direitos humanos, nomeadamente a contratação de um ex-embaixador dos EUA para fiscalizar a forma como a empresa lida com estes assuntos.

Anteriormente, os EUA já tinham visado outros gigantes tecnológicos da China com medidas semelhantes, com destaque para a Huawei. Nessa altura, o argumento utilizado foi o da protecção da segurança interna dos EUA.

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