Prémio Fernando Távora de arquitectura distingue Margarida Quintã e Luís Ribeiro da Silva

Com a proposta vencedora, As Fronteiras do México, os dois arquitectos querem avaliar o “impacto da arquitectura e do urbanismo na intermediação dos problemas afectos às demarcações territoriais, às migrações e à dimensão transfronteiriça do bem-estar dos povos”.

Trump wall
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O muro actualmente em construção na fronteira dos EUA com o México Jose Luis Gonzalez/ REUTERS

Os arquitectos Margarida Quintã e Luís Ribeiro da Silva são os vencedores da 15.ª edição do Prémio Fernando Távora com a proposta As Fronteiras do México, anunciou esta terça-feira a Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos (OA/SRN).

O prémio, que foi entregue na segunda-feira à noite, na sede da OA/SRN, no Porto, distingue a melhor proposta de viagem de investigação seleccionada por um júri nomeado todos os anos para o efeito. O galardão, criado em 2005 por aquela estrutura da OA em homenagem ao arquitecto Fernando Távora (1923-2005), consiste numa bolsa de viagem no valor de 6.000 euros.

Segundo a sinopse apresentada pelos autores, o projecto As Fronteiras do México explora “o impacto da arquitectura e do urbanismo na intermediação dos problemas afectos às demarcações territoriais, às migrações e à dimensão transfronteiriça do bem-estar dos povos”. O itinerário proposto organiza-se ao longo da fronteira do norte do México com os Estados Unidos da América, das fronteiras do sul do México com a Guatemala e com o Belize.

Explorando a diversidade das situações de fronteira do México, a proposta de trabalho procura “estudar a diversidade dos sistemas de relações de interdependência que cada situação de fronteira articula”, lê-se ainda na sinopse. O objectivo é que “através do reconhecimento da unicidade e da complexidade formulada por cada uma destas situações”, seja possível “pensar sobre a eficácia da construção de barreiras físicas no contexto da resolução de algumas das mais urgentes questões humanitárias e ambientais contemporâneas”.

Margarida Quintã, nascida em 1981, no Porto, formou-se na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), em 2007, e é actualmente doutoranda na Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, e no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, onde desenvolve investigação sobre a problemática do comportamento climático das construções no contexto do continente africano. Trabalha desde 2015 no estúdio Ursa em parceria com Luís Ribeiro da Silva.

Este arquitecto, nascido em 1982, no Porto, formou-se também na FAUP, onde lhe foi atribuído o prémio para o melhor aluno do curso de Arquitectura em 2007. Obteve o grau de mestre na Graduate School of Architecture, Planning and Preservation da Universidade de Columbia, em Nova Iorque (2010), e doutorou-se no Instituto para a História e Teoria da Arquitectura do Instituto Federal de Tecnologia em Zurique, Suíça (2018). Fundou em 2011 o estúdio Ursa, onde trabalha em parceria com Margarida Quintã.

O júri do prémio é habitualmente composto por dois nomeados pelo Conselho Directivo da OA/SRN, um elemento designado em conjunto pela família do arquitecto Fernando Távora, um elemento designado pela Casa da Arquitectura e um elemento em representação da Fundação Instituto Marques da Silva.