Mediterrâneo continua a ser a rota mais mortífera do mundo

Este ano, mais de mil pessoas morreram a tentar chegar à Europa de barco.

Lesbos, uma das ilhas gregas que estão a ser dos principais destinos de refugiados e migrantes
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Afegão após a chegada à ilha grega de Lesbos GIORGOS MOUTAFIS/Reuters

Pelo sexto ano consecutivo, morreram mais de mil pessoas no Mar Mediterrâneo a tentar chegar à Europa para pedir asilo, diz a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Desde 2015, ano em que marcou o pico das chegadas à Europa, até ao final de Setembro deste ano, morreram pelo menos 15 mil pessoas nestas viagens arriscadas, diz a organização.

Em 2019, o destino principal foi a Grécia: mais de metade dos 78 mil refugiados e migrantes. As ilhas gregas do Mar Egeu, tão perto da costa turca que se apanham emissões de rádios e TV turcas, ultrapassaram outros locais que vinham a ter mais chegadas em Espanha, Itália, Malta ou Chipre.

A grande maioria vem do Afeganistão e da Síria.

A travessia mais perigosa continua a ser a da Líbia para Itália: morreram 659 pessoas, quase dois terços do total, entre o início do ano e o final de Setembro. Entre a Turquia e a Grécia, morreram 66 pessoas no mesmo período, e entre países do Norte de África e Espanha, morreram 269 pessoas também no mesmo intervalo de tempo.

“Quando há um aumento de sentimentos contra migrantes na nossa política por todo o mundo, este número chocante de mil mortos deve-se de algum modo a uma atitude mais dura e mesmo hostilidade em relação a migrantes que fogem de violência e de pobreza”, disse o porta-voz da OIM Leonard Doyle. “Todos lamentamos esta mortandade no mar. Também nos envergonha a todos.”

A OIM diz que “apesar de trágicos, os números [de mortes] são dos mais baixos registados desde 2014”. Mas a queda deve-se “sobretudo à redução do número de pessoas a tentar, e não à melhoria da segurança da rota”: esta continua a ser “a mais mortífera rota de migração de todo o mundo”.

O número de pessoas a fazer a travessia diminuiu drasticamente, nota também o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), mas “ao mesmo tempo, o número de vidas que se perderam, proporcionalmente, aumentou”.