Les Bleus já estão nos “quartos”, os All Blacks ainda não

A França venceu Tonga (23-21) e vai discutir com a Inglaterra o 1.º lugar o Grupo C. A Nova Zelândia voltou a ganhar, mas ainda não tem o apuramento matematicamente garantido.

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LUSA/FRANCK ROBICHON

Para a França, mesmo com sofrimento, o primeiro objectivo no Mundial 2019 está atingido. No difícil Grupo C, os franceses ultrapassaram os três primeiros obstáculos (Argentina, Estados Unidos e Tonga) e vão discutir na última partida da fase de grupos com a rival Inglaterra o 1.º lugar o Grupo C. A Nova Zelândia, que neste domingo derrotou a Namíbia (71-9), ainda não tem o apuramento matematicamente garantido – não pode perder no último jogo contra a Itália.

Durante três minutos a Namíbia esteve a vencer a Nova Zelândia (3-0) e até bem perto do intervalo os “welwitschias” perdiam apenas por um escasso ponto (9-10). No entanto, o inevitável aconteceu. Após quase meio jogo de inércia, os All Blacks foram All Blacks e na segunda parte colocaram no marcador a diferença de qualidade entre as duas selecções.

Com muitos dos melhores trunfos de fora, a Nova Zelândia entrou no jogo em Tóquio com pouco nervo e os africanos foram os primeiros a pontuar, através de uma penalidade de Damian Stevens. Três minutos depois, uma assistência ao pé de Jordie Barrett foi aproveitada por Sevu Reece, mas o primeiro ensaio não acordou os neozelandeses, que mantiveram um ritmo baixo e apenas aos 36’, com um ensaio de Angus Ta'avao, conseguiram colocaram a Namíbia a mais do que sete pontos de distância (17-9).

A primeira parte desagradou de certeza a Steve Hansen, mas a conversa do seleccionador neozelandês com os seus jogadores ao intervalo resultou. Apesar de alguma indisciplina (pela segunda vez em Mundiais dois jogadores da Nova Zelândia viram um cartão amarelo no mesmo jogo), os All Blacks marcaram nos últimos 40 minutos sete ensaios - Sevu Reece (51'), Anton Lienert-Brown (46'), Ben Smith (44’ e 67'), Samuel Whitelock (55'), Jordie Barrett (75') e TJ Perenara (78') -, colocando a diferença final em 62 pontos (71-9).

Com a terceira vitória no Japão, a Nova Zelândia passa a somar 14 pontos, mais quatro do que a África do Sul e a Itália. No próximo sábado, em Toyota, os neozelandeses defrontam os italianos e com a vitória garantem o apuramento e o 1.º lugar do Grupo B.

Em Kumamoto, os franceses tinham na memória a derrota contra Tonga no Mundial 2011, um dos resultados mais surpreendentes da história dos Campeonatos do Mundo de râguebi, e estiveram perto de serem outra vez surpreendidos.

Com uma entrada forte no jogo, “les bleus” venciam à meia hora por 17-0 (ensaios de Virimi Vakatawa e Alivereti Raka, dois jogadores nascidos nas Fiji), mas na “bola de jogo” da primeira parte um ensaio de Sonatane Takulua deixou alguma incerteza para os últimos 40 minutos.

E o início do segundo tempo fez tremer os franceses. Após um erro do defesa Maxime Medard (deixou uma bola alta bater no chão dentro da sua área de 22 metros), Malietoa Hingano ganhou o ressalto e só parou dentro da linha de ensaio francesa.

Com apenas três pontos de vantagem (17-14), o “XV” comandado por Jacques Brunel procurou manter o sangue frio. Com calculismo q.b., “les bleus” procuraram manter a posse de bola e conquistaram duas faltas que Romain Ntamack aproveitou para capitalizar, garantindo mais seis pontos.

Com uma margem de segurança de nove pontos (23-14) que ainda não dava tranquilidade, a França tentou segurar o jogo no meio campo de Tonga, mas a um minuto do fim Zane Kapeli fez o terceiro ensaio da selecção do Pacífico e o “fantasma” do Mundial 2011 pairou sob os gauleses.

Com 23-21 e apenas uma posse de bola para jogar, os franceses acabaram por conquistar o pontapé de recomeço, colocando de imediato a bola fora após se atingir os 80 minutos. Mais uma vez, a tradição cumpria-se: a França nunca foi afastada na fase de grupos.