Obras de artistas angolanos e moçambicanos em leilão na Sotheby’s

Os angolanos Antonio Ole e Cristiano Mangovo e os moçambicanos Bertina Lopes, Mário Macilau, Malangatana e Ernesto Shikhani são alguns dos artistas representados no leilão de arte moderna e contemporânea africana que a leiloeira londrina vai realizar no dia 15

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Rakung, de Antonio Ole

A Sotheby's leva à praça em Londres, no próximo dia 15, mais de uma centena de obras de artistas africanos contemporâneos, incluindo trabalhos dos angolanos António Ole e Cristiano Mangovo e dos moçambicanos Bertina Lopes, Mário Macilau, Malangatana e Ernesto Shikhani. Entre os 103 lotes do leilão destacam-se ainda obras dos sul-africanos Gerard Sekoto, William Kentridge e Jacob Hendrik Pierneef, do nigeriano Ben Enwonwu e dos congoleses Eddy Kamuanga Illunga e Bodys Isek Kingelez.

A celebrar este ano 50 anos de carreira, António Ole tem presentes dois quadros, Rakung, de 2017, avaliado entre 12.000 e 18.000 libras (13,5 mil e 20,2 mil euros), e Conversa Interrompida, do mesmo ano, estimada entre 4000 e 6000 libras.

Natural de Luanda, onde nasceu em 1951, estudou cultura afro-americana e cinema na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e tem desenvolvido, ao longo da sua carreira, um trabalho ecléctico com recurso ao desenho, pintura, colagem, instalação, fotografia, vídeo e cinema. Em 2016, a Fundação Calouste Gulbenkian dedicou a Antonio Olé a retrospectiva Luanda, Los Angeles, Lisboa, que esteve no Centro de Arte Moderna até Janeiro de 2017.

De Cristiano Mangovo estão para leilão dois quadros, Zungueiras de Cana de Açúcar e Dia de Felicidade, ambos de 2019 e avaliados, cada um, entre cinco e sete mil libras (5,6 mil e 7,9 mil euros). Nascido na cidade de Cabinda, em Angola, em 1982, Mangovo vive entre Lisboa e Luanda, é formado em pintura pela Faculdade de Belas Artes de Kinshasa e tem formação adicional em cenografia urbana e performance. Em 2014, foi galardoado com o Prémio Mirella Antognoli pela Embaixada Italiana e pela Alliance Française, tendo ainda recebido o prémio angolano ENSA Arte, que lhe valeu uma residência na Cité Internationale des Arts, em Paris, da qual resultou uma exposição individual na capital francesa.

Pintora e escultora, Bertina Lopes está representada no leilão com dois óleos, um de 1960 e outro de 1981, o primeiro avaliado entre 4.000 e 6.000 libras e o segundo entre 5.000 e 7.000 libras. Natural de Maputo (1924-2012), Bertina Lopes recebeu numerosos prémios e realizou exposições em diversos países, de Portugal, Itália ou Grécia aos Estados Unidos.

Do fotógrafo Mário Macilau será licitada a obra Alito, The Guy with Style, Moments of Transition, de 2013, avaliada entre 2.000 e 3.000 libras. Esta mesma imagem esteve numa exposição com artistas africanos da nova geração no Museu Guggenheim de Bilbau em 2015.

Autodidacta nascido em Maputo em 1984, Mário Macilau é fotógrafo profissional desde 2007, e os seus projectos tratam geralmente de  temáticas sociais e políticas, como os direitos humanos ou as condições ambientais.

De Malangatana Ngwenya vão a leilão Matalana, de 1970, avaliado entre 10.000 e 15.000 libras, e ainda um trabalho sem título, avaliado entre 6.000 e 8.000 libras, produzido para o pavilhão de Moçambique na Exposição Universal de Sevilha, em 1992. Falecido em Matosinhos, em 2011, aos 74 anos, Malangatana foi um dos mais conhecidos artistas plásticos moçambicanos, tendo sido agraciado com a medalha de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, atribuída pelo Estado português. Além de artista plástico, foi poeta, actor, filantropo e deputado da FRELIMO, partido no poder em Moçambique desde a independência.

Do também já desaparecido Ernesto Shikhani (morreu em 2010, aos 76 anos), serão licitados o óleo A Chave do Papa para África, de 1988, avaliado entre 6.000 e 8.000 libras, duas obras sem título da primeira metade dos anos 90 e a escultura Coruja, de 1989, avaliada entre 2.000 e 3.000 libras. Nascido em 1934 nos arredores de Maputo, Shikhani foi pastor até aos 16 anos, tendo-se dedicado mais tarde à escultura, no Núcleo de Arte e, depois, na antiga Escola Industrial Mouzinho de Albuquerque. A partir de 1970 dedicou-se também à pintura.

As duas obras mais cotadas neste leilão, que coincide com a realização, em Londres, das feiras de arte contemporânea Frieze e 1:54, esta última dedicada exclusivamente à arte africana, são Cyclists in Sophiatown, do sul-africano Gerard Sekoto, que a Sotheby's avalia entre 250 e 300 mil libras (entre 280 e 330 mil euros), e African Dances, do nigeriano Ben Enwonwu, cuja estimativa máxima é de 200 mil libras.