Entrevista

PURP: “Salários dos ministros deviam baixar 15%”

O PURP defende que quem trabalha para o Estado não deve ter salários superiores aos do Presidente da República.

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Fernando Loureiro Miguel A. Lopes/Lusa

Por que razão os salários dos ministros devem ser reduzidos?
A redução em 15% nos salários dos ministros é uma das várias medidas que o PURP [Partido Unido dos Reformados e Pensionistas] defende no seu programa eleitoral. Portugal é um país pobre e não comporta vencimentos tão elevados. Num país onde existem cerca de dois milhões de reformados a viver abaixo do limiar da pobreza, a receber menos de 500 euros por mês, depois de décadas a descontar, e mais de um milhão de trabalhadores com salários mensais da ordem dos 600 euros, não é justo que os ministros aufiram salários tão elevados.

Ser ministro, deputado ou gestor público é uma missão que os devia de encher de orgulho, não é uma profissão. Como é que se explica que num país como Portugal um gestor público como é o caso de Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos, ganhe cerca de 423 mil euros por ano? Insisto, não se entende que o banco público, que só está preocupado em fechar balcões de atendimento, pague ordenados milionários aos seus quadros.

Considera-os “salários extraterrestres”? Quer explicar melhor?
Não direi que são salários extraterrestres, mas como se explica que haja uma diferença tão gritante entre aquilo que os ministros ganham e os enfermeiros, por exemplo, que tratam da nossa saúde, ou os professores que nos dão instrução, ou até mesmo dos bombeiros que protegem os nossos bens?

Em quanto os reduziria?
No nosso programa eleitoral temos um valor de 15%, mas admito que os salários pudessem baixar entre 10 e os 15%, quanto mais não seja para que o povo visse nisso uma atitude nobre e solidária.

A medida seria só para ministro?
Não. Entendo que quem trabalha para o Estado não deve ter um ordenado superior ao do Presidente da República e, como todos sabemos, há pessoas que trabalham em empresas públicas que têm vencimentos bem superiores ao do chefe de Estado. Pelo menos 14 gestores das maiores empresas portuguesas ganharam mais de um milhão de euros brutos em 2017. ​