Fenianos Portuenses celebram Implantação da República com conferências e música

O Clube Fenianos Portuenses celebra no sábado a Implantação da República com conferências, uma recriação histórica e música. Pretende no dia 5 de Outubro recordar os valores republicanos ligados à igualdade, fraternidade e solidariedade

Clube Fenianos Portuenses celebra no sábado a Implantação da República.
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Clube Fenianos Portuenses celebra no sábado a Implantação da República. DR

“Por norma, no Porto, a celebração [da Implantação da República] é feita a 31 de Janeiro. Este ano como o 5 de Outubro coincide com o dia da reflexão [devido às eleições Legislativas], não há discursos. Decidimos que é relevante reflectir sobre os valores da República. Isto é uma actividade cívica de celebração da República, num clube que nasceu republicano e assume os valores do republicanismo”, disse à agência Lusa o vice-presidente do clube, Vítor Tito.

Assim, no sábado, o Clube Fenianos Portuenses começa as comemorações com uma conferência dedicada ao tema “O advento do Republicanismo em Portugal”, a cargo de Teresa Nunes, da Universidade de Lisboa, seguindo-se “Fenianos, um Clube Republicano?” com Cristina Mouta, bibliotecária do clube.

Depois da conferência, marcada para as 14:30, segue-se a recriação do discurso de proclamação na varanda do salão flamingo pelas 16:00, varanda virada para a Avenida dos Aliados, e a celebração encerra, às 16:30, no salão nobre, com “As músicas da República e outras músicas”, interpretadas pela Invicta Big Band.

“Este ano as comemorações estão limitadas às entidades públicas por questões eleitorais, e como somos um clube da sociedade civil e não temos vínculo partidário, assumimos este protagonismo de celebrarmos a república”, referiu o responsável.

Vítor Tito adiantou que entre os temas do concerto estará “A Portuguesa”, hino de Portugal que será apresentado com uma nova orquestração.

O vice-presidente recordou, ainda, que o Clube Fenianos Portuenses foi fundado em 1904 por uma colónia de brasileiros republicanos e liberais, que fugiram da ditadura monárquica do Brasil, bem como por burgueses liberais portuenses, razão pela qual a ligação aos valores da República lhe são muito caros.

“Existe uma ligação muito forte aos ideais da liberdade e da república: igualdade, solidariedade e fraternidade. O Clube Fenianos foi a primeira instituição no Porto a apoiar a constituição da escola pública”, contou Vítor Tito.

Outro dos episódios que liga esta instituição à celebração da república é o facto desta ter sido, indicou o vice-presidente, “a primeira entidade do mundo a dar os parabéns pela instauração da república no Brasil”.

Já a gravata dos Fenianos serviu para “camuflar” republicanos em tempo de ditadura, pois a dos Fenianos tinha exactamente o mesmo padrão da usada por republicanos, ou seja, bandas brancas e vermelhas.

“Então quando estes eram parados pela Polícia Monárquica, acusados de ser republicanos, estes referiam que eram Fenianos”, contou Vítor Tito.

Por sua vez, durante o período do fascismo, “o clube funcionou como embaixada do pensamento e as pessoas tinham direito à livre expressão”.

Ali aconteceram debates que uniram Óscar Lopes, Miguel Torga, António Macedo e Mário Cal Brandão, um ciclo de iniciativas com o nome “Porto, capital da liberdade”.

O programa desenhado para sábado é de acesso livre, sendo objectivo do clube “abrir as portas” da instituição.