NBA quer ser “polícia” das mentiras dos jogadores

A Liga norte-americana pede, agora, que os clubes confirmem todos os documentos de identificação dos atletas e façam medições cuidadas - e com regras - à altura dos jogadores.

Durant em acção pelos Golden State Warriors.
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Durant em acção pelos Golden State Warriors. Reuters/Ezra Shaw

É bizarro que a melhor e mais profissional liga de basquetebol do mundo tenha problemas com as medições aos jogadores, mas a NBA tem mesmo em mãos um imbróglio deste tipo. É já antiga a tendência de muitos jogadores para mentirem acerca de quanto medem e, para a próxima temporada, que arranca no final de Outubro, a NBA já tomou medidas.

O problema é simples de explicar: jogadores mentem sobre a altura que têm. Só isto. Os motivos é que são variados e, em alguns casos, complexos. À cabeça surge o caso de Kevin Durant, para muitos o melhor jogador do mundo. O norte-americano mede 2,06m, pelo menos nos registos da NBA. Mas, quando surge ao lado de jogadores com a mesma altura, Durant é claramente mais alto. Nunca mediu 2,06m como jogador profissional. Nem descalço, nem calçado, nem de qualquer outra forma.

O mistério foi desfeito pelo próprio, que já assumiu medir mais. “Quando falo com uma mulher digo que meço 2,13m. No basquetebol digo que meço 2,06m”, assumiu, em 2016. E explicou: “Sempre achei giro dizer que sou um extremo de 2,06m, que é a altura de um poste”.

O motivo da mentira de Durant prende-se, também, com a preferência por jogar a extremo em vez de jogar a poste. Pela altura real, Durant não só poderia ser mais vezes chamado para jogar a poste como perderia a vantagem de estatura que, como extremo, tem relativamente a quase todos os seus defensores.

Há, depois, casos como o de Draymond Green, que deverá medir menos do que disse. O jogador é um poste relativamente baixo (mede “apenas” 1,98m), pelo que os seis centímetros a mais que dizia ter lhe dariam, na altura do draft – foi escolhido na segunda ronda, em 2012 –, um estatuto melhor aos olhos das equipas potencialmente interessadas em contratá-lo.

Isiah Thomas, pequeno base dos Washington Wizards, é outro dos jogadores que deverá ser prejudicado pelas mudanças nas medições, já que medirá uns centímetros a menos – e bastante jeito dão estes centímetros no estatuto de um jogador que medirá apenas 1,76m.

Tudo isto parece uma trivialidade apenas importante em matéria de draft e pouco relevante para o jogo em si, mas talvez não seja exactamente assim, já que a questão das alturas pode influir, por exemplo, nos encaixes defensivos das equipas. Sabendo-se da predilecção da NBA e dos seus treinadores pelos números, é real a possibilidade de alguns técnicos estipularem encaixes defensivos com base na altura que crêem que os seus jogadores têm.

A solução encontrada pela NBA foi, na pré-época, solicitar medições exactas aos atletas, algo que nunca foi feito até aqui. Medições que deverão ser feitas sem os ténis calçados (os jogadores podem, no máximo, estar a usar meias). Esta opção não é consensual, já que muitos alegam que, se os jogadores jogam calçados, a altura que interessa não é a “biológica”, mas sim a que é medida com os ténis nos pés. O certo é que, a partir de agora, dificilmente haverá mentiras sobre as alturas dos jogadores. Sobre as alturas e sobre as… idades.

Embora seja um problema bastante menos frequente, a NBA quer terminar, também, com as idades falsas. Buddy Hield, dos Sacramento Kings, revelou ter nascido em 1992, mas os registos diziam que tinha nascido em 1993. Um factor que pode ter tido peso no draft, em 2016 – foi escolhido em sexto lugar –, mas que o jogador garante não ter sido propositado. “Cheguei das Bahamas com passaporte, que diz que nasci em 1992. E a minha carta de condução também. Acho que alguém na NBA foi buscar a informação à Wikipédia ou assim e registou esse erro”.

A NBA pede, agora, que os clubes confirmem todos os documentos de identificação dos atletas. Alturas rigorosas e idades reais: esta é a “nova NBA”, sem mentiras.