Boris Johnson pressiona Bruxelas a ceder à sua proposta para o acordo do “Brexit”

Primeiro-ministro britânico diz ter propostas concretas e pede a Bruxelas cedências para o processo ser fechado na cimeira de Outubro. “O meu desejo é que os nossos amigos europeus também queiram avançar”, disse à BBC.

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Boris Johnson HENRY NICHOLLS/Reuters

O Reino Unido vai, em breve, apresentar propostas de alteração ao acordo do “Brexit” à União Europeia, incluindo ideias para retirar a controversa salvaguarda para impedir o regresso de uma fronteira na Irlanda, anunciou esta terça-feira o primeiro-ministro, Boris Johnson. 

“Vamos fazer uma excelente proposta e vamos formalizá-la muito em breve”, disse Johnson à BBC. O diário The Telegraph disse que Johnson vai apresentar esta proposta ainda esta terça-feira.

“Pensamos que temos um bom caminho à nossa frente e pensamos que há uma boa solução. O meu desejo é que os nossos amigos europeus, os nossos amigos em Bruxelas, em Dublin, na Alemanha, também queiram avançar”, pressionando a UE a contribuir para uma solução.

Johnson explicou que quer garantir uma emenda ao acordo de saída na cimeira europeia de 17 e 18 de Outubro, já chamada de “cimeira do Brexit”, para garantir um divórcio ordenado.

O primeiro-ministro britânico espera que da parte europeia exista abertura para fazer as concessões que permitam que o acordo de saída seja aprovado pelos cidadãos e, sobretudo, pelo Parlamento de Londres, que rejeitou por três vezes o acordo negociado por Theresa May, a antecessora de Johnson, sobretudo devido à cláusula de salvaguarda da fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte (o backstop, que os críticos dizem deixar o Reino Unido dentro das regras europeias de que pretende sair com o “Brexit").

Porém, antes mesmo de as propostas terem sido feitas ou divulgadas - alguns jornais avançaram que se trata de um mecanismo para existirem postos alfandegários afastados da fronteira entre as duas partes da Irlanda -, o Governo de Dublin considerou-as irrelevantes. O ministro irlandês dos Negócios Estrangeiros, Simon Coveney, disse que a iniciativa de Londres não permite arrancar com negociações.

Johnson, logo de seguida, esclareceu que o mecanismo mencionado nos jornais não corresponde à proposta que o seu Governo tem para apresentar à União Europeia.

Mais de três anos desde do referendo de 2016, o país avança para uma saída a 31 de Outubro sem estar claro se o “Brexit” se vai concretizar com ou sem um acordo para uma relação futura com Bruxelas.

Boris Johnson, que tem garantido que o “Brexit” vai acontecer na data prevista, não quer pedir um novo adiamento do divórcio, que já esteve marcado para Março. Antes do Parlamento ter sido suspenso, a pedido do primeiro-ministro - foi entretanto reaberto por ordem do Supremo Tribunal -, os deputados aprovaram uma lei para impedir uma saída sem acordo a 31 de Outubro. Um novo adiamento tem que ser solicitado até 19 de Outubro.

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