Helen Mirren exalta jovens mulheres que estão “a assumir o controlo”

A vencedora de um Óscar de Melhor Actriz diz-se entusiasmada por o “longo ciclo de desigualdade e repressão” estar a ser quebrado.

"A razão pela qual não havia mulheres comediantes? Porque não as deixavam ser comediantes"
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"A razão pela qual não havia mulheres comediantes? Porque não as deixavam ser comediantes" Reuters

A actriz britânica Helen Mirren assume-se grata pelo facto de a geração de mulheres jovens, responsáveis pelo movimento #MeToo, estar a assumir o controlo do seu destino, recusando-se a aceitar a desigualdade pelo género. Em entrevista à Radio Times, numa altura em que a vencedora de um Óscar de Melhor Actriz (A Rainha, 2006) está de regresso ao pequeno ecrã no papel de Catarina a Grande, numa série nascida de uma parceria entre as cadeias HBO e Sky, recorda-se que, durante muitos anos, não havia mulheres a fazer humor porque “foi completamente aceite que as mulheres não tinham piada”. “A razão pela qual não havia mulheres comediantes? Porque não as deixavam ser comediantes. É um longo ciclo de desigualdade e repressão, e estou entusiasmada por, finalmente, se estar a quebrar. Mas demorou muito”.

Numa conversa em que assume ter uma certa inveja de mulheres como Phoebe Waller-Bridge, que, há uma semana, venceu três Emmys, todos relacionados com comédia (melhores série, actriz e argumento original), disse: “Tenho inveja da autoconfiança, energia e audácia” de mulheres capazes de escrever e interpretar o seu próprio material num mundo pós-#MeToo. “Vejo jovens mulheres ao meu redor a assumir o controlo do seu próprio destino. A escreverem o seu próprio material, a criarem os seus próprios grupos de teatro ou fazerem os seus próprios filmes, essa adorável suposição de que é possível e que elas o podem fazer. Se o fazem bem ou mal é completamente irrelevante.”

“Não existe sexualidade binária”

Numa altura em que a identidade de género ou sem género assumem uma importância cada vez maior nas agendas sociopolíticas, Helen Mirren não deixa passar a oportunidade para dizer que não acredita numa “sexualidade binária”. Há muito tempo que cheguei à conclusão de que todos nós estamos no meio de uma mistura maravilhosa de masculino e feminino”. A actriz acrescenta: “Não há tal coisa como sexualidade binária, quer se seja homem ou mulher. Muitos excelentes actores são, na verdade, muito femininos (…) e muitas actrizes têm um lado masculino muito forte”. Como de resto ela própria: “Odeio falar sobre os meus sentimentos, nunca quero ir ao médico e sou excelente a ler mapas. Tenho muitas das ditas qualidades masculinas. Mas certamente pareço uma mulher.”

No papel de Catarina da Rússia

Helen Mirren assume, a partir desta quinta-feira, o papel de Catarina, a Grande (ou Catarina II da Rússia), a imperatriz que governou de 1762 a 1796, com a estreia da co-produção HBO/Sky (por cá, a série fica disponível no mesmo dia no canal HBO Portugal). A minissérie, de quatro episódios, está a cargo do romancista e dramaturgo britânico Nigel Williams, que aponta a lente à corte de Catarina no século XVIII, na fase final do seu reinado, quando se envolveu romanticamente com Grigory Potemkin, que será interpretado por Jason Clarke.

PÚBLICO -
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A série estreia dia 3 de Outubro DR