Portugueses num Mundial “infinito” e com “mau tempo no canal”

Portugal leva um contingente de seis ciclistas para os duros Mundiais 2019 e Rui Costa, com um percurso à sua medida, não poderá queixar-se de falta de qualidade e quantidade para o apoiar.

Rui Costa no pódio como campeão do mundo, em 2013
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Rui Costa no pódio como campeão do mundo, em 2013 Reuters/GIAMPIERO SPOSITO

Neste domingo, 284 longos quilómetros depois da partida, o público inglês vai coroar o novo campeão do mundo de ciclismo. Espera-se chuva e “mau tempo no canal”, numa corrida imprevisível e, até pelas condições meteorológicas, cheia de peripécias. O português Rui Costa tem esperanças legítimas de conquistar uma medalha, ainda que não figure no trio mais reduzido de principais favoritos. Esse lote é encabeçado, isso sim, por um fenómeno recente. Já lá vamos.

Estes Mundiais, no condado britânico de Yorkshire, são uma autêntica “maratona”, já que são a segunda prova mais longa da temporada de ciclismo (apenas superada pela Milão-São Remo) e os mais longos desde 1964  esperam-se cerca de sete horas de corrida.

Ao contrário de 2018, o percurso não é particularmente montanhoso – algo que deverá excluir trepadores –, mas, por ser muito longo e “pica pernas”, deverá excluir os sprinters puros. Por outras palavras, os ciclistas mais versáteis, especialistas em clássicas e com boas pontas finais perfilam-se como os mais prováveis vencedores.

Os favoritos

O campeão em título é o veterano Alejandro Valverde e todos os anos se diz “para Valverde já não dá”. Mas, aos 39 anos, o espanhol continua a somar triunfos e quer tornar-se apenas o sétimo campeão a revalidar o título mundial. Um dos seis que o fizeram chama-se Peter Sagan, que, pelo tipo de percurso, tem uma oportunidade de ouro para se tornar o primeiro ciclista na história a ser quatro vezes campeão do mundo. Mas Sagan tem, em 2019, dois adversários de peso.

Um chama-se Mathieu van der Poel e pode ser considerado o grande favorito à vitória, por três ordens de razão: já mostrou aguentar provas longas, tem uma ponta final tremenda e tem consigo uma equipa holandesa muito forte. Perfeito, perfeito seria ter a ajuda do grande rolador Tom Dumoulin que, em exclusivo ao PÚBLICO e à Eurosport, explicou a ausência. “É a prova anual pela qual mais anseio. Falhar estes Mundiais, por lesão, dói mais do que qualquer outra das provas que tenho falhado”, assumiu.

A Holanda leva, ainda assim, nomes como Mollema, Terpstra ou Teunissen para ajudar Van der Poel, que pode tornar-se o primeiro, desde 2003, a ser campeão do mundo sem pertencer a uma equipa World Tour.

O trio de principais favoritos fecha-se com Julien Alaphilippe. Não há corrida desta estirpe que permita excluir o gaulês que sobe e sprinta, além de ter grande capacidade de leitura da corrida.

Numa segunda linha vêm ciclistas rápidos como os italianos Trentin e Ulissi, o checo Stybar, os dinamarqueses Valgren e Asgreen, o polaco Kwiatkowski, o australiano Matthews ou os eslovenos Mohoric e Roglic. Depois, há a Bélgica.

Esta selecção merece um parágrafo próprio, já que é, provavelmente, a melhor equipa em prova, com nomes como Gilbert, Wellens, van Avermaet, Teuns, Lampaert e, por fim, o jovem prodígio Remco Evenepoel. É difícil imaginar um “menino” de 19 anos como grande aposta de uma selecção como a belga, mas também é difícil ignorar o impacto tremendo que este jovem está a ter no ano de estreia no World Tour. Consegue subir, rolar, sprintar e já mostrou na prova de contra-relógio – conquistou a prata – que está em grande forma.

Muitos portugueses e... eritreus

Por fim, nesta prova há apenas cinco campeões do mundo inscritos e um deles é português. Rui Costa não vem de uma temporada fulgurante, mas, em situação de corrida favorável, num grupo restrito, é sempre um nome em ter em conta para um top-10, ou mesmo para uma medalha.

Caso Rui Costa não esteja bem, Rúben Guerreiro poderá ser um backup interessante, caso as pernas o permitam, após um bom desempenho na Vuelta. A selecção nacional leva, em 2019, um raro contingente de seis ciclistas, pelo que Rui Costa tem pouco de que se queixar em matéria de apoio.

Destaque, ainda, para a praticamente desconhecida selecção da Eritreia que, depois de dois ciclistas em 2018, leva seis para estes Mundiais. O crescimento do ciclismo no país do nordeste africano é visível e é quase certo que estes eritreus quererão, em 2019, algo mais do que apenas o foco da transmissão televisiva: o objectivo será melhorar o top-50 feito por Kudus no ano passado.