Morreu o professor de jornalismo Nelson Traquina

Docente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, tinha-se reformado em 2010 e voltado a residir nos EUA, onde nasceu e faleceu.

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Nelson Traquina tinha 71 anos D.R.

Um dos mais conhecidos professores do curso de Ciências da Comunicação da Universidade Nova de Lisboa, Nelson Traquina, morreu esta quinta-feira em Massachusetts, nos Estados Unidos, onde estava a residir desde 2011, pouco depois de se ter aposentado. Tinha feito 71 anos este mês. As causas da morte não foram divulgadas.

Nelson Traquina ingressou na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL no início dos anos 80, quando a actual licenciatura de Ciências da Comunicação ainda se chamava prosaicamente curso de Comunicação Social. Por este curso, independentemente do nome que então apresentava, passaram muitos dos jornalistas que ainda estão no activo e quase todos eles foram alunos de Traquina, que era professor de jornalismo.

Nascido nos EUA em 1948, filho de imigrantes açorianos, foi como jornalista que Nelson Traquina chegou a Portugal após o 25 de Abril ao serviço da agência noticiosa da United Press International (UPI). Antes licenciou-se e concluiu um mestrado em Política Internacional nos EUA e obteve um diploma em Comunicação Social e um doutoramento em Sociologia em Paris.

Traquina manteve-se professor na Universidade Nova até à sua aposentação em 2010. Ascendeu a professor catedrático em 1997, no mesmo ano em que fundou o Centro de Investigação Media e Jornalismo, sedeado naquela faculdade. Numa nota divulgada neste sábado, dando conta do seu falecimento, a direcção da FCSH destaca que Traquina “foi um dos investigadores mais importantes e profícuos na área dos estudos jornalísticos em Portugal, tendo nomeadamente reflectido sobre os elementos para uma teoria da notícia que ajudaram a compreender porque é que ‘as notícias são como são’, subtítulo de um dos seus livros (Teorias do Jornalismo, 2004)”.

Foi autor de muitas outras obras sempre em volta do jornalismo, organizou a antologia Jornalismo: Questões, Teorias e Estórias, publicado em 1993, que se “tornou rapidamente num clássico”, refere-se na nota divulgada pela FCSH. E  viu um livro ser publicado em sua homenagem, com textos de colegas seus dos quais alguns tinham sido seus alunos. Foi publicado em 2012 na colecção LabCom da Universidade da Beira Interior com o título Pesquisa em Media e Jornalismo – Homenagem a Nelson Traquina.

Nesta obra, a professora da Universidade de Coimbra Isabel Ferin lembra que “como pesquisador, Traquina elegeu como área prioritária de investigação a análise da cobertura jornalística da problemática do VIH/Sida, tendo iniciado com muitos dos alunos uma temática de investigação que se manteve até hoje”.