Cristas diz estar a receber “recados para se calar” com Tancos e Portas chegou por vídeo

O antigo líder chegou à campanha no dia do 45º aniversário da presidente do CDS numa mensagem em vídeo de três minutos. A propósito de Tancos, Cristas lançou mais um forte ataque aos socialistas.

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Quando deixou a liderança do CDS, Paulo Portas afirmou que não interferiria na vida política do partido, mas que estaria presente sempre que o CDS precisasse de ajuda. Esteve presente, em Cascais, na campanha das europeias; esteve, na quarta-feira, em Aveiro, onde é mandatário distrital, ao lado do cabeça de lista local, João Almeida; e agora na noite deste sábado, através de uma mensagem vídeo. Cristas fez um dos discursos mais duros contra o PS o Governo, com caso Tancos como pano de fundo. “Nós não temos medo do PS”, afirmou Cristas, que diz que está a receber “mensagens” e “recados” para se calar com o caso Tancos “porque tem um peso político”. Garantiu que não se calará.

A sala, com cerca 700 pessoas presentes, começou por cantar a uma só voz os parabéns a Cristas pelo seu 45.º aniversário. Presentes estavam também o seu marido e os seus quatro filhos. Estes acabaram por subir ao palco com a mãe, oferecendo-lhe um ramo de flores e um bolo de aniversário.

Portas entrou logo a seguir no ecrã gigante no pavilhão de Angeja, distrito de Aveiro. Começou por desejar “tudo de bom a Cristas” e que conduza “as cores do CDS a um bom resultado no dia 6 de Outubro”. “Um resultado melhor que o que todos esperam”, acrescentou.

“Fui eleito no distrito de Aveiro e fui muito bem recebido esta parte de Portugal com os valores da liberdade política e da liberdade económica, da defesa da propriedade privada e da mobilidade social”, afirmou.

Saudou ainda os candidatos a deputados pelo distrito, afirmando que “quem trabalha merece ser recompensado, quem não trabalha deve mudar de ramo” e  deixou uma última palavra aos militantes e simpatizantes do CDS: “Lembrem às pessoas o que aconteceu em 2015. O que contou não foi a coligação ter ganho, ou o partido que teve mais votos. O que contou foi a soma dos deputados no Parlamento. Por isso é que nasceu a geringonça. Os deputados do CDS são essenciais. Os deputados do CDS somam e sem a soma dos deputados do CDS a maioria será de esquerda.”

Por isso, continuou, “é preciso concentrar votos seguros nos deputados do CDS, pois só assim o país poderá ir para melhor”.

Portas já tinha estado, na passada quarta-feira, com João Almeida em Aveiro. Questionada na altura sobre a presença do antigo presidente do CDS na campanha, mas não ao seu lado, Cristas afirmou que “o importante é estarem todos a trabalhar no mesmo sentido”. Disse ainda que Portas também estaria ao seu lado: “A agenda dele é muito complicada, anda muito por fora, portanto há-de haver um momento em que nos vamos encontrar, mas ainda não sei qual é”, afirmou. Para já chegou via vídeo.

“Tramóias socialistas”

Cristas subiu de novo ao palco, após a intervenção de João Almeida e acabou por fazer um dos discursos mais duros da campanha contra o PS e o Governo. Com destaque para o caso de Tancos, que apelidou de “tramóias socialistas”.

A líder do CDS começou por pedir para deixarem o partido trabalhar e fez uma “viagem” pelas propostas centristas, sempre com “bicadas” ao PS e ao Governo, até chegar a Tancos. Aqui as críticas subiram de tom. Muito.

No caso do roubo das armas de Tancos, começou por afirmar, “Governo socialista não só silenciou, (…) como também participou de uma ilegalidade”. “Uma simulação de uma verdadeira mentira que vendeu a todo o país.”

“Que palavras é que se usam quando nós sabemos que há um deputado do PS, que sabia, trocou mensagens em pleno processo? Que palavras é que devíamos usar para descrever as atitudes deste Governo que continua a não conseguir explicar como é que o ministro da Defesa podia ter feito uma coisa destas sem que o próprio primeiro-ministro saiba? Como? Que palavras se usariam para contar a história de um ministro que participou num esquema como o do suposto esquema do achamento das armas, furtadas, num esquema negociado com criminosos que ficaram impunes para disfarçar uma falha profunda de segurança​”, perguntou. “Outros podem ter medo do PS. Outros podem preferir o conforto do apoio ao poder à verdade dos factos. (…) No CDS nós não temos medo de dizer a verdade”, acrescentou.

Cristas diz que tem recebido “mensagens” que lhe dizem que “isto tem um peso político”. “A essas pessoas eu queria dizer: o preço da verdade não existe. E os portugueses têm o direito de saber tudo o que aconteceu. Têm de saber dos esquemas”, disse. A tudo isto chamou “tramóias socialistas”.

Nos últimos quatro anos, disse ainda, que “muitas vezes” os centristas foram “os únicos” a enfrentar a “arrogância e sobranceria do PS”, do “quem se mete com o PS leva”, como se o partido do Governo “não pode ser criticado, censurado”.

Mas a centrista tinha mais a dizer. “Dizem que não se pode falar de Tancos. Lamentamos, mas isto é o PS, o verdadeiro PS. Se caso fosse do PSD e do CDS era grave. Como é PS, passa a ser tudo uma cabala. Mas a verdade é que nós já vimos este filme. E esse filme não acabou bem.”

Na opinião de Cristas, “não há nenhuma conspiração”. “Se existir alguma essa é contra o Estado de direito democrático. E é contra essa que nós estamos contra.”

“Se querem calar, se há recados para não se falar nisto, se querem criar assuntos proibidos eu quero deixar claro: Com o CDS estão enganados. (…) Não funcionará, não funcionou e não vai funcionar com o CDS”, acrescentou.

A líder do CDS terminou com mais um forte apelo ao voto no CDS. No jantar estiveram também presentes os antigos dirigentes Diogo Feio e Nobre Guedes.

Guedes já não discursava numa iniciativa do CDS, de que foi vice-presidente com Paulo Portas há dez anos. Também ele pegou no caso Tancos. “Representa o princípio de um conflito institucional que já é irreversível. (…) Quem votar no CDS, nesse conflito institucional entre o PS e o Presidente da República, sabe que o partido está incondicional e convictamente com o Presidente e não está com o PS”.