Unsplash
Foto
Unsplash

Megafone

Livre sem tabaco

Não vou afirmar que nunca mais vou fumar. Estou a lidar com a cessação tabágica como um alcoólico, um dia de cada vez e a decidir diariamente: hoje não fumo. Se me apetece fumar um cigarro? Apetece. Se quero voltar a fumar, ser de novo dependente e perder esta liberdade conquistada? Não!

É o meu primeiro Dia Europeu do Ex-Fumador! Na verdade, ainda não me sinto ex-fumadora. Não porque me apeteça desesperadamente fumar mas porque esta condição é recente, mais precisamente desde 15 de Julho de 2019, que se traduz, orgulhosamente, em 72 dias.

Para efeitos de contextualização, tenho 38 anos, o primeiro cigarro foi aos 14 e fumava regularmente desde os 16 cerca de um maço por dia, com apenas uma tentativa séria de deixar pelo caminho.

Há já alguns anos que pensava deixar de fumar, mas adiava sempre para outra altura porque, na verdade, gostava (e gosto!) de fumar. Dava-me prazer, fazia-me companhia. Não queria deixar, não era o momento. Não estava preparada por muito que familiares, amigos, colegas mo pedissem. Não funciona assim. E sim, pensava na saúde (devo dizer que trabalho na área de saúde, nomeadamente na realização de exames respiratórios), no dinheiro, no cheiro que fica na roupa, no cabelo. Foi preciso tempo.

No decorrer do último ano, por motivo de doença e falecimento de familiares queridos, comecei a pensar que, de facto, a vida é curta. Então porquê tentar encurtá-la ainda mais? E iniciou-se o processo de mentalização. Gradualmente, fui pensando em pequenos mantras: “quando deixar de fumar vou…”, “com o dinheiro do tabaco viajo até…”. Alguns amigos também deixaram de fumar ou estavam seriamente a pensar nisso, o que também ajudou no processo.

Ponderei pedir ajuda na consulta de cessação tabágica, ferramenta importantíssima para muitas pessoas, mas quis trilhar o meu próprio caminho, ver do que era capaz. Chegou o passo seguinte: marcar a data. Aproveitei um procedimento cirúrgico agendado para 15 de Julho (há que transformar o negativo no positivo!) e decidi. Nesse dia acordei, tomei o pequeno-almoço e sentei-me nas escadas traseiras do prédio a fumar o último cigarro. Não sei explicar a calma com que o fiz porque, numa situação normal em que tão pouco suspeitasse estar a fumar o último cigarro e para mais num dia em que iria ser operada, teria fumado três ou quatro, seguidos. Mas não o fiz. Fumei um e foi o último até hoje.

Não vou afirmar que nunca mais vou fumar. Estou a lidar com a cessação tabágica como um alcoólico, um dia de cada vez e a decidir diariamente e de forma consciente: hoje não fumo. Da mesma forma também não posso afirmar que me tem sido muito difícil porque na verdade não tem. Estou muito decidida e acredito que essa é a diferença.

Se me apetece fumar um cigarro? Apetece. Se quero voltar a fumar, ser de novo dependente e perder esta liberdade conquistada? Não!