Análise

Uma jornada globalmente positiva

Nesta jornada, foi possível ver uma das alterações às leis de jogo introduzidas pelo International Board ser aplicada no Estádio do Dragão, no embate entre o FC Porto e o Santa Clara. Aconteceu ao minuto 31, quando a equipa açoriana beneficiou de um livre directo à entrada da área contrária.

Na lei 13 (pontapés livres) pode ler-se que, quando uma barreira é formada por três ou mais defensores, todos os atacantes adversários devem permanecer a pelo menos um metro de distância até que a bola entre em jogo. Ora, os jogadores do Santa Clara não respeitaram este princípio e o árbitro acabou por penalizar a equipa insular com um pontapé livre indirecto, já que um jogador do Santa Clara se aproximou a menos de um metro da barreira portista.

Ao minuto 55, tivemos o caso do jogo. Uribe, ao saltar e ao cabecear a bola, é surpreendido pela chegada para a disputa do lance de Fábio Cardoso, que acaba por ser atingido na cara com o cotovelo. A lei 12 (Faltas e Incorrecções) é muito clara no que diz respeito a estas situações em que é cometida uma infracção, mesmo sem querer, ou seja, estes lances são tecnicamente punidos com livre directo — a acontecerem dentro da área, é assinalado penálti. A intencionalidade (se se trata de um gesto involuntário, inadvertido) produz apenas efeitos ao nível disciplinar. Neste caso, não se tratou de uma agressão ou uso excessivo de força, logo, não era situação para cartão vermelho, mas sim uma acção meramente negligente, passível de cartão amarelo. 

Aproveito este lance para explicar os três graus de sanção disciplinar que existem, em função da acção do infractor. Imprudência (mostra falta de atenção ou consideração ao entrar sobre um adversário, ou actua sem precaução): não há qualquer mostragem de cartão. Negligência (actua sem ter em conta o perigo ou as consequências do seu acto para com o adversário): aqui há cartão amarelo. Força excessiva (significa que o jogador faz um uso excessivo da força colocando em perigo a segurança de um adversário): aqui há lugar a cartão vermelho. Em comum estas três situações têm a sua punição técnica: livre directo ou penálti (se a falta ocorrer dentro da área). 

Outra situação já pouco habitual aconteceu também nesta jornada, com jogadores a serem punidos com cartão amarelo por simularem um suposto penálti. Aconteceu com Corona, ao minuto 65, em lance com João Afonso, sendo necessária a intervenção do videoárbitro (VAR) para corrigir a grande penalidade inicialmente assinalada. Também Nenê, do Moreirense, foi disciplinarmente punido por idêntica acção ao disputar a bola com Gedson. 

Ainda a propósito do Moreirense-Benfica, é de realçar o golo validado, aos 85’, a Rafa, que, estando em posição irregular quando Rúben Dias cruzou, acabou por beneficiar do facto de Iago Santos cabecear a bola, jogando-a de forma intencional. E quando vem de um adversário, passa a ser legal um jogador em fora-de-jogo de posição tocar na bola. 

É importante destacar, a este respeito, que uma coisa é a bola ressaltar num jogador (isso não é vir de um adversário), outra coisa é um jogador, de forma deliberada, jogar a bola, mesmo que o faça de forma incorrecta e inadvertidamente a passe para um adversário. 

Em Alvalade, no Sporting-Famalicão, destaque para dois lances nos quais foi necessária a intervenção do VAR, para colocar as linhas do fora-de-jogo, com esta tecnologia a mostrar ao centímetro a legalidade ou não do posicionamento dos jogadores. Ao minuto 75, Jovane Cabral acaba por se isolar numa clara oportunidade de golo, sendo derrubado pelo guarda-redes Defendi, que cometeu penálti e que, ao derrubar o adversário tentando jogar a bola, e com a alteração da tripla penalização, seria apenas advertido. Contudo, o jogador leonino saiu de posição de fora-de-jogo (186 cm), o lance foi anulado e o jogo recomeçou com livre indirecto a favor do Famalicão. De destacar que o assistente cumpriu o protocolo, deixando a jogada desenrolar-se e só depois levantando a bandeirola. 

Ao minuto 88, a intervenção do VAR foi um pouco mais demorada e percebe-se porquê. É que o segundo golo do Famalicão tinha dois momentos importantes de análise: primeiro, o momento de transição ofensiva, para avaliar se o desarme de bola de Nehuén a Bolasie tinha sido correcto (e foi, tocou apenas na bola); depois, a arrancada para golo de Diogo Gonçalves, no corredor direito, sendo que na altura em que o seu colega Gustavo Assunção lhe passou a bola estava em posição legal (66 cm).