Férias e ursos polares: uma bizarra moda fotográfica dos anos 20

"Adoro fotografias de pessoas em situações inusitadas", confessa o autor do fotolivro Polar Bears. O mundo do alemão Jochen Raiß é lugar estranho — e estranhas são, também, as fotografias que partilha com o P3, de uma moda que surgiu durante os anos 20, na costa alemã, junto ao Mar Báltico.

©Jochen Raiß
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©Jochen Raiß

Devido às alterações climáticas e ao aquecimento global, o urso polar tornou-se numa espécie popular e é, actualmente, visto por muitos como um animal grande, adorável e frágil. Mas, no passado, o grande urso branco era temido, admirado pela ferocidade e pelo exotismo. Porque é que tantos alemães decidiram deixar-se fotografar na sua companhia? A moda surgiu durante os anos 20, na costa alemã, junto ao Mar Báltico. "Nessa altura, os fotógrafos faziam-se acompanhar de um assistente e iam para as praias vender fotografias aos turistas", explica Jochen Raiß, em entrevista ao P3, por email. Com a ajuda do assistente disfarçado, "os turistas podiam, assim, ser fotografados na companhia de um urso polar".

Os estranhos retratos começaram a popularizar-se e a tendência expandiu-se a outros pontos turísticos do país. "É interessante o facto de [estas fotos] existirem apenas na Alemanha", observa o coleccionador. "Porquê? Ninguém sabe." As fotografias não saíram do país, mas saíram das praias do Báltico para o restante território. Há retratos de alemães acompanhados de ursos polares em bares, em estâncias de esqui, feiras; há retratos de família com o gigante branco, retratos com amigos e cônjuges. Há de tudo um pouco.

A colecção de Jochen Raiß, que trabalha como editor de fotografia em Hamburgo, começou a ganhar forma há cerca de 30 anos. "Normalmente encontro as fotografias nas flea markets que visito todos os fins-de-semana. Tenho 49 anos, por isso já comecei há muito." Raiß tem entre 2500 a 3000 fotografias deste género, que datam entre os anos 20 e os anos 60; o fotolivro Polar Bears, editado pela Hatje Cantz, contém uma apurada selecção de 78. 

O cuidado com que é encenada cada fotografia, os olhares invulgares (para a época) dos retratados em direcção à câmara e a paisagem tipicamente alemã que rodeia a acção fascinaram, desde o primeiro momento, Jochen Raiß. E o segredo reside no facto de terem sido todas realizadas por fotógrafos profissionais. "A partir dos anos 60, as pessoas começaram a comprar as suas próprias câmaras fotográficas", pode ler-se no prefácio do fotolivro, escrito pelo artista alemão Norbert Thomas. "As fotografias a preto e branco foram substituídas por fotografias a cores, normalmente sem qualidade ou valor artístico."

Não é conhecida a origem desta estranha tendência, mas o coleccionador coloca a possibilidade de estar relacionada com uma campanha publicitária bem-sucedida de uma empresa chamada Steiff, que, nos anos 20, comercializava animais de peluche; ou então com grandes cartazes de publicidade a um zoo que estavam espalhados pela região onde surgiram as primeiras imagens. Mas não passam de hipóteses. Pode ter sido apenas um golpe de sorte de um fotógrafo isolado, pondera o alemão, seguro de nunca vir a encontrar uma resposta definitiva.

©Jochen Raiß
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Capa do fotolivro Polar Bears, editado pela Hatje Cantz
Capa do fotolivro Polar Bears, editado pela Hatje Cantz
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