Pelo menos 40 civis mortos em operação militar governamental

Ataque acontece menos de uma semana depois de drones norte-americanos terem matado outros 32 civis.

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Acção militar matou pelo menos 40 civis LUSA/WATAN YAR

Pelo menos 40 civis que assistiam a um casamento na província de Helmand, no sul do Afeganistão, foram mortos no domingo, na sequência de uma operação realizada por forças governamentais, noticiou a Reuters na segunda-feira, citando fonte oficial.

A ofensiva acontece dias após uma operação norte-americana com drones ter vitimado 32 agricultores e sublinha o preço pesado pago pela população civil com a intensificação da violência após o colapso das negociações entre os norte-americanos e os talibãs.

Segundo as autoridades afegãs, os civis encontravam-se na residência da noiva, num edifício adjacente a uma casa que estaria a ser utilizada pelos talibãs como centro de treino de bombistas suicidas.

“Íamos para a casa da noiva realizar uma cerimónia. Alguns estavam fora da casa e outros dentro, quando, de repente, a batalha começou. Dissemos às forças de segurança que não somos membros dos talibã”, contou à Reuters Mohammad Salim, de 30 anos, residente na localidade de Musa Qala. “Mas ambas as partes acabaram por matar civis”, afirmou. Para além destas 40 vítimas mortais, outras 13 pessoas presentes no casamento sofreram ferimentos.

Na segunda-feira, Salim carregava os cadáveres de familiares até a um cemitério. O homem, bem como duas fontes oficiais afegãs, indicam que pelo menos 12 das vítimas mortais eram crianças.

Um funcionário do Ministério da Defesa afegão disse que a acção militar teve como alvo “um grupo terrorista estrangeiro envolvido na organização de ataques terroristas”. Um segundo funcionário disse um dos suspeitos detonou um colete de explosivos, matando uma mulher.

O coronel Sonny Legget, porta-voz das forças norte-americanas no Afeganistão, revelou que as tropas dos Estados Unidos colaboraram com as homólogas afegãs na acção, conduzindo “ataques de precisão contra terroristas barricados”. Esta fonte garante que a maior parte das mortes podem ser atribuídas a disparos dos suspeitos e à detonação de coletes de explosivos.

O governador da província de Helmand afirmou que quatro comandantes talibãs e um dos líderes do grupo na região de Musa Qala foram mortos nesta operação. No total, 22 talibãs foram mortos e 14 capturados, de acordo com o ministro da Defesa. Cinco paquistaneses e um cidadão do Bangladesh também foram detidos pelas autoridades.

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