Johnson responsabiliza Irão pelos ataques aos campos petrolíferos sauditas

Primeiro-ministro britânico não rejeita participação militar do Reino Unido junto dos EUA na região, nem aplicação de novas sanções a Teerão, e vai reunir-se com Rouhani em Nova Iorque.

Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido
Foto
Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido Reuters/POOL New

O Reino Unido colocou-se ao lado dos Estados Unidos e da Arábia Saudita na responsabilização do Irão pelos ataques com drones e mísseis a dois campos petrolíferos sauditas na semana passada. Na viagem para Nova Iorque, onde participará na Assembleia-Geral das Nações Unidas e onde se encontrará com o Presidente iraniano, Hassan Rouhani, Boris Johnson denunciou o envolvimento de Teerão nos ataques e admitiu que os britânicos podem participar em operações militares norte-americanas e sauditas na região para proteger Riad.

“Posso dizer-vos que o Reino Unido atribui responsabilidades ao Irão, com elevado grau de probabilidade, pelos ataques em Aramco”, disse o primeiro-ministro britânico aos jornalistas, a bordo do avião da Royal Air Force que os transportou no domingo para os EUA.

Johnson garantiu que Londres está a trabalhar com os parceiros norte-americanos e europeus para que se “constitua uma resposta para tentar reduzir a escalada das tensões na região do Golfo”. Questionado sobre a possibilidade de o Reino Unido aderir a eventuais operações militares com EUA e Arábia Saudita o líder do executivo britânico disse tal cenário seria considerado.

“Se formos abordados pelos sauditas ou pelos norte-americanos para termos um papel a desempenhar vamos claramente considerar de que forma tal plano pode ser útil”, afirmou, admitindo estar em contactos com Washington para uma “resposta diplomática concertada”, que pode incluir novas sanções económicas ao Irão. 

O ataque do passado dia 14 de Setembro atingiu dois dos maiores campos petrolíferos sauditas, tendo sido reivindicado pelos rebeldes houthis do Iémen, aliados do Irão, que combatem o governo local, apoiado pela Arábia Saudita. Washington e Riad apressaram-se, no entanto, a rejeitar esta possibilidade e apresentaram provas que dizem confirmar que os disparos foram lançados a partir do território iraniano, a Norte, e não do Iémen, a Sul.

Em resposta, Donald Trump garantiu que os EUA estavam a postos para atacar militarmente o Irão. O Presidente norte-americano reduziu, no entanto, o tom, e, por enquanto, autorizou apenas o reforço do contingente militar na região, com o envio de algumas centenas de soldados.

Os ataques às instalações da Aramco são o mais recente capítulo na escalada de tensão na região do Golfo, que nos últimos meses já testemunhou ataques furtivos e apreensões de petroleiros, um abate iraniano de um drone norte-americano e um ataque norte-americano ao Irão, abortado à última hora por Trump, entre outros episódios.

No centro do conflito está a retirada dos EUA no acordo nuclear iraniano, de 2015, e a reposição das sanções económicas ao regime de Terrão. Em resposta, os iranianos deixaram de cumprir com diversas disposições do tratado e aceleraram a sua produção nuclear, ultrapassando o limite de urânio enriquecido acumulado para fazerem frente às fragilidades e necessidades da sua economia.

Para além do encontro com Rouhani, Boris Johnson também vai debater o conflito regional e a questão nuclear com Donald Trump, Emmanuel Macron (Presidente francês) e Angela Merkel (chanceler alemã).