Opinião

Cartas ao director

Aeroporto do Montijo I

Em artigo publicado no PÚBLICO, o eng.º Pompeu dos Santos, uma das figuras de proa da engenharia civil portuguesa, pretende argumentar que a construção ou ampliação do aeroporto do Montijo será a única solução imediata para aliviar o estrangulado aeroporto de Lisboa, dada a precária situação económica do país. Desvaloriza opiniões muito válidas referidas ao ambiente, ao voo das aves, ao ruído para as populações, e aos transportes para Lisboa, tocando na tecla de que o país não está em condições doutra solução. Também eu, também ligado à engenharia civil, considero que as obras a realizar neste aeroporto para o tornar operacional para a aviação civil têm investimentos enormes, que parece que ninguém contabilizou ou anunciou; a consolidação dos terrenos para suportarem as novas pistas atingem, só por si, verbas avultadíssimas para um aeroporto com uma vida curta anunciada. Não seria mais económico, construir uma pista em Alcochete e edifícios de apoio para essa pista, e ter um espaço que comporte um futuro bom aeroporto a executar por fases, sem desperdiçar estas verbas de remendo?

Duarte Dias da Silva, Lisboa

Aeroporto do Montijo II

Li com muito agrado o extenso artigo da autoria do eng.º Pompeu Santos. Felicito-os por terem dado a oportunidade à verdade esclarecedora. Lamento não terem chamado o tema à primeira página dada a importância do esclarecimento que presta. Termino com um comentário: Não percam tempo arrastando a construção do aeroporto que foi decidido em 2013 criando condições para que a Vinci venha a pedir compensações por incumprimento contratual.

Antonio Campos de Almeida 

Verdade desportiva

Rui Pinto, um jovem português, tornou público muitos contratos cheios de cláusulas, fortemente suspeitas, que denegriram a imagem do futebol. Ao revelar estes documentos através do site Football Leaks, transformou as suspeições em realidade. O hacker estava indiciado pela prática de quatro crimes: acesso ilegítimo, violação de segredo, ofensa à pessoa colectiva e extorsão na forma tentada. É indispensável atender que dos quatro crimes, apenas a prática da extorsão na forma tentada justifica a prisão preventiva. No final do mês a Hungria aceitou a extensão do Mandado de Detenção Europeu do delator, o que permitiu ao Ministério Público investigar outros factos e indícios que não constam no documento original e terá acusado o Rui Pinto pelos crimes de acesso ilegítimo e extorsão na forma tentada. Concordei inteiramente com a antiga eurodeputada Ana Gomes quando disse que “está na prisão a pessoa que denunciou os crimes e não os criminosos”. É importante reparar que as autoridades francesas, alemãs e holandesas usaram o delator como colaborador e uma testemunha importantíssima – quiseram ir atrás da mensagem. Já as portuguesas entendem que o hacker é um suspeito – prenderam o mensageiro!

Fábio Cravinho Coutinho, São Silvestre