Marcelo vai continuar a “comer carne, nomeadamente carne de vaca”

O Presidente não se pronunciou sobre a decisão da Universidade de Coimbra (que vai retirar a carne de vaca das ementas), mas diz que tenciona continuar a comer carne.

,Eduardo Cabrita
Foto
Marcelo Rebelo de Sousa, em Viseu LUSA/NUNO ANDRÉ FERREIRA

Marcelo Rebelo de Sousa optou por não comentar a posição da Universidade de Coimbra, que retirou a carne de vaca das ementas das suas cantinas universitárias, mas revela que vai continuar a comer carne: “Com a idade come-se cada vez menos carne, mas eu tenciono continuar a comer carne, nomeadamente carne de vaca, isso tenciono”, assumiu Marcelo Rebelo de Sousa, questionado pelos jornalistas.

As declarações surgiram à saída de um espectáculo de dança da Companhia Paulo Ribeiro, Last, no Teatro Viriato em Viseu, a quem atribuiu o título de membro honorário da Ordem de Mérito, a propósito do 20.º aniversário que assinala este ano.

Antes de se dirigir para o Teatro Viriato, o Presidente jantou na Praça da República em Viseu onde está, até domingo, um restaurante a céu aberto com a presença de vários chefs, entre eles quatro com estrelas Michelin, dentro da iniciativa da Festa das Vindimas. Aos jornalistas, admitiu que não se lembra do que comeu, uma vez que provou cinco pratos de doces e cinco de salgados — dois pratos de cada um dos cinco chefs presentes na iniciativa.

Mas admitiu continuar a comer carne, uma pergunta que se deveu à polémica em torno da decisão da Universidade de Coimbra, anunciada nesta terça-feira, de eliminar a carne de vaca das suas cantinas a partir de Janeiro de 2020. De acordo com o reitor, Amílcar Falcão, esta decisão foi motivada pela necessidade de tornar a Universidade de Coimbra “a primeira universidade portuguesa neutra em carbono”, disse o reitor na cerimónia de recepção aos estudantes. “Vivemos um tempo de emergência climática e temos de colocar travão nesta catástrofe ambiental anunciada”, sublinhou.

A carne de vaca será substituída “por outros nutrientes que irão ser estudados, mas que será também uma forma de diminuir aquela que é a fonte de maior produção de CO2 que existe ao nível da produção de carne animal”.

A decisão gerou polémica e reacções extremadas: do lado dos agricultores e, em particular, dos produtores de leite, a perplexidade e incompreensão dominaram; já os estudantes e o PAN saudaram a decisão.

Elogios à campanha

Marcelo Rebelo de Sousa elogiou o nível e o civismo dos debates políticos na pré-campanha eleitoral e considerou que, com “tantas possibilidades de escolha” e empenhamento dos partidos só se pode esperar uma menor abstenção nas legislativas. 

“Tenho acompanhado a campanha, não me pronuncio, tenho estado rigorosamente silencioso, como devo estar, mas tenho apreciado a campanha, tenho apreciado o nível dos debates, muito serenos, mesmo quando veementes e demonstrando quando as suas opiniões são muito diversas, com uma civilidade, com uma urbanidade, com um respeito entre os representantes das várias forças políticas”, elogiou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República considerou ainda que os debates têm tido “uma preocupação de esclarecer, tocando todos os pontos”, acrescentando que “não há praticamente nenhum domínio que não tenha sido tratado: político, económico, social, educativo e mesmo cultural”.

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas à saída de um espectáculo de dança da Companhia Paulo Ribeiro, Last, no Teatro Viriato em Viseu, a quem atribuiu o título de membro honorário da Ordem de Mérito, a propósito do 20.º aniversário que assinala este ano.

“Como é uma pré-campanha muito longa, ainda haverá a campanha eleitoral, isto dá aos portugueses uma oportunidade, com tantas possibilidades de escolha, para mostrarem que estão empenhados e que querem votar e, nesse sentido, a abstenção ser claramente inferior àquela que foi a abstenção nas eleições europeias. Espero que haja aqui um grau de participação superior à participação nas eleições de Maio”, disse.

Procriação medicamente assistida e demissão de secretário de Estado

Questionado sobre o veto à alteração da lei relativa à procriação medicamente assistida, em consequência de o Tribunal Constitucional (TC) ter declarado inconstitucional duas normas do diploma, Marcelo Rebelo de Sousa justificou que “quando o TC considera que há inconstitucionalidade o Presidente veta, é o chamado veto por inconstitucionalidade”.

“Este veto é uma consequência de o TC ter entendido que as minhas dúvidas tinham razão de ser e, portanto, eu devolvi à Assembleia da República para na próxima legislatura, se o quiser, e provavelmente quer, reponderar, reapreciar, e ajustar a lei àquilo que é a posição do TC”, explicou.

Sobre outros temas da actualidade, como a demissão do secretário de Estado da Protecção Civil, no âmbito de uma investigação ao projecto “Aldeias Seguras”, o Presidente da República diz que “não se pronuncia” e que se limitou a “aceitar o pedido de demissão de um membro do Governo sob a proposta do senhor Primeiro Ministro”.