Riscas de aquecimento em Portugal entre 1901 e 2018
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Riscas de aquecimento em Portugal entre 1901 e 2018 ED HAWKINS

Estas riscas mostram quanto Portugal aqueceu nos últimos anos — e tu podes usá-las contra as alterações climáticas

De uma forma simples, um cientista da Universidade de Reading, no Reino Unido, arranjou uma forma de comunicar o problema das alterações climáticas. Precisou apenas de linhas e cores para que o The Guardian e a The Economist fizessem das riscas a sua imagem de capa.

À primeira vista parece só uma imagem com riscas de várias cores. Mas, na verdade, as riscas representam anos — mais de cem, aliás. De um ano para o outro, quase não conseguimos notar diferenças entre cores, mas à medida que as décadas se acumulam, a história é outra: passamos a notar uma diferença clara e oposta de cores. As riscas nesta imagem representam a temperatura média de Portugal em todos os anos desde 1901. Os anos “pintados” a azul-escuro registaram temperaturas mais baixas e os vermelhos as temperaturas mais quentes.

O gráfico mostra com clareza os efeitos das alterações climáticas nas últimas décadas e era precisamente esse o objectivo de Ed Hawkins, cientista do Centro Nacional de Ciência Atmosférica da Universidade de Reading, no Reino Unido. “Esses gráficos são simples e coloridos, mas são baseados em ciência sólida. Transmitem uma mensagem séria porque traduzem dados complexos num formato facilmente acessível — ultrapassam qualquer idioma e quase não precisam de um contexto para serem explicados”, escreve Hawkins num artigo publicado na revista norte-americana Fast Company.

No início de 2019, a equipa do cientista criou uma página chamada ShowYourStripes, que permite a qualquer um observar as faixas climáticas de mais de 200 países e também de estados individuais dos Estados Unidos da América.

“Explicar a ciência climática ao público em geral pode ser complicado. O consenso científico é que o planeta está a aquecer, mas cada região do mundo está a fazê-lo a um ritmo diferente. Grande parte do Reino Unido está 1ºC mais quente do que há um século atrás, enquanto várias partes do Árctico aqueceram quase 3ºC. As faixas climáticas podem comunicar esta diferença quase instantaneamente”, explica o cientista.

Nas últimas semanas, as riscas de Ed Hawkins tornaram-se famosas: foram alvo de um milhão de downloads em apenas uma semana e a hashtag associada à pagina está a correr as redes sociais. Esta quinta-feira, no Twitter, o cientista desafiou os jornais britânicos e a usar a faixa referente às temperaturas do Reino Unido nas suas capas. Por coincidência (ou por terem alinhado no desafio), as riscas acabaram por colorir a parte de baixo da primeira página da edição desta sexta-feira do The Guardian. Também o The Economist a usou para ilustrar a capa da sua edição impressa desta semana que já está nas bancas e é totalmente dedicada à acção climática  a imagem figura também nas edições online do jornal e da revista. 

As imagens também estiveram em destaque num ecrã gigante de um concerto, foram pintadas em muros pelo mundo e estampadas em peças de roupa, como lenços, ou mesmo vestidos. Os meteorologistas televisivos estão a usá-las nas suas roupas, e há carruagens de metro na Alemanha com uma “nova pintura” — há ainda quem tenha colorido o seu Tesla com estas imagens.

“Se queremos que as acções climáticas se tornem um movimento das massas, não podemos esperar que as discussões e conversas estejam restritas a cientistas e políticos. Por mais grave que seja, isto precisa de se tornar uma conversa que temos em todo o lado, seja em cima do muro para falarmos com os nossos vizinhos, nas novelas ou enquanto dançamos em festivais de verão”, explica o cientista britânico. “Estes gráficos podem ajudar a iniciar conversas.”