Crónica de jogo

Valeu o “bis” de Soares para apagar a mágoa da Champions

FC Porto bateu o Young Boys por 2-1 no arranque do Grupo G da Liga Europa.

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Reuters/RAFAEL MARCHANTE

O FC Porto entrou a vencer na Liga Europa, com um bis determinante de Soares, ainda que insuficiente para disfarçar uma intermitência que só pode ser explicada pelas “saudades” dos dias de Champions. As marcas da vitória difícil ante o Portimonense, na Liga, também foram perceptíveis, numa equipa que nunca chegou a afirmar-se como verdadeira dona do jogo. Pelo contrário. O FC Porto cumpriu (2-1), mas permitiu que o Young Boys mostrasse a sua melhor faceta, arriscando a transformação de um conjunto estruturado para defender e que acabou a tentar a sorte na Invicta.

Os suíços não o conseguiram porque Soares tratou de justificar rapidamente a titularidade, marcando num bom lance do ataque portista, com Otávio a criar o momento e Tiquinho a tabelar com Díaz e a finalizar (8’). Apesar de ligeiramente adiantado, o brasileiro agradeceu a ausência de VAR, com o FC Porto a sair na frente e a deixar a ideia de que poderia contornar sem problemas a muralha suíça. 

Mas para o treinador do Young Boys era demasiado cedo para abandonar o sistema de nove unidades atrás da linha da bola (com três centrais e dois laterais, mais quatro elementos a fecharem todos os espaços). E, mesmo em desvantagem, manteve o bloco intacto, accionando apenas a velocidade de Jean-Pierre Assalé, preciosa muleta do camaronês Nsamé, com quem formou uma dupla temível, para logo começar a criar problemas a Pepe e Marcano.

Aliás, o golo dos helvéticos surgiu na sequência de um raide de Assalé, que bateu Pepe e trocou as voltas ao central espanhol, obrigando Marchesín a mergulhar-lhe aos pés. Mais uma vez, o VAR não estava presente para dissecar o lance em que o costa-marfinês força o contacto e Nsamé assinou o empate. 

Ao FC Porto competia partir de novo em busca do golo, o que esteve na iminência de acontecer num cabeceamento de Danilo, ao poste. O internacional português já tinha testado a atenção de Ballmoos, num remate de meia-distância, e haveria ainda de obrigar o guarda-redes a intervenção instintiva. Contudo, Ballmoos nada poderia fazer para evitar o segundo golo de Soares, embrulhado por Luis Díaz e Corona num grande jogada colectiva. 

Apesar de reposta a vantagem, os “dragões” nunca puderam descansar. Assalé e Nsamé continuavam a agitar o fantasma de Portimão, obrigando os portistas, com evidentes sinais de desgaste, a redobrarem cautelas. Com Nakajima no banco, Sérgio Conceição não repetiu a aposta do Algarve, investindo numa maior contenção, ao lançar Romário Baró para o lugar de Díaz. Depois, abdicou ainda de Marega e Soares, já sem o ímpeto necessário para aproveitarem o balanceamento do Young Boys. 

Os suíços dispuseram, inclusive, de soberana oportunidade para igualar a 20 minutos dos 90, mas García não foi capaz de bater Marchesín.