Fed acompanha BCE e baixa taxas de juro

Banco central norte-americano responde a sinais de incerteza na economia com segunda descida de taxas de juro do ano. Donald Trump queria mais e diz que falta coragem a Jerome Powell

Jerome Powell, presidente da Reserva Federal
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Jerome Powell, presidente da Reserva Federal LUSA/SHAWN THEW

Numa resposta ao aumento da incerteza em relação à evolução da conjuntura, a Reserva Federal norte-americana (Fed) juntou-se esta quarta-feira ao grupo de bancos centrais a reforçarem os estímulos que oferecem à economia e decidiu baixar a sua principal taxa de juro de referência em 0,25 pontos percentuais, para um intervalo entre 1,75% e 2%.

A decisão, largamente esperada pelos mercados, representa a segunda descida de taxas operada este ano pela autoridade monetária dos EUA, numa inversão de rumo na política monetária que tinha seguido nos dois anos anteriores. Em Julho, a Reserva Federal realizou o seu primeiro corte de taxas em mais de uma década.

A Fed, tal como tinha já acontecido em Julho, justifica a nova descida de taxas com a necessidade de criar condições monetárias mais favoráveis numa altura em que vários riscos ameaçam o crescimento da economia. Entre os motivos para preocupação destaca-se o impacto que uma escalada do conflito comercial entre os EUA e a China poderia vir a ter no consumo e no investimento, para além dos efeitos negativos que produziria nos mercados financeiros e no resto da economia mundial.

Na conferência de imprensa que se seguiu à decisão, Jerome Powell voltou a explicar que a opção de baixar taxas de juro se deveu essencialmente à presença de riscos. “Estamos numa situação pouco habitual em que o desempenho da economia norte-americano é sólido, mas em que temos riscos geopolíticos e riscos relacionados com a conjuntura e comércio internacional”, assinalando que indicadores económicos, nomeadamente o investimento e as exportações, estão a apresentar um desempenho mais fraco, enquanto o consumo mantém um comportamento positivo.

Para o futuro próximo, são poucas as pistas dadas pela Fed. No comunicado publicado esta quinta-feira é apenas dito que o banco central “irá continuar a monitorizar as implicações das novas informações relativas à conjuntura económica e irá agir de forma apropriada para preservar a expansão”.

A decisão não contou com a unanimidade dos 10 votos realizados no comité que define a política monetária. Dois membros consideraram que as taxas de juro se deviam ter mantido ao mesmo nível e um que o corte de juros deveria ter sido mais forte, de meio ponto percentual.

Em relação ao resto do ano, há também expectativas diferentes entre os 17 membros inquiridos. Sete prevêem um novo corte de 0,25 pontos, cinco uma manutenção das taxas e cinco uma subida de 0,25 pontos.

A Reserva Federal lida neste momento com um cenário em que, de forma quase sem precedentes na história recente dos EUA, existe uma pressão pública da Casa Branca para a aplicação de uma política monetária menos restritiva.

Donald Trump tem em diversas ocasiões nos últimos meses – principalmente por via da sua conta no Twitter – criticado severamente a actuação dos responsáveis da Fed, mostrando-se arrependido pela nomeação de Jerome Powell para o cargo de presidente, defendendo que as taxas de juro já deveriam estar a um nível muito mais baixo e afirmando que a Fed está a deixar os bancos centrais dos outros países desvalorizarem as suas divisas.

Esta quinta-feira, o presidente norte-americano não demorou mais de 25 minutos a reagir, não esperando sequer pela conferência de imprensa do presidente da Fed. “Jay Powell e a Reserva Federal falham novamente. Nenhuma coragem, nenhum senso, nenhuma visão! Um comunicador terrível!”, escreveu Trump na sua conta do Twitter.

Na semana passada, o Banco Central Europeu baixou a sua taxa de juro de depósito e anunciou o regresso por tempo indeterminado das compras líquidas de dívida pública. Noutros países, como a China e o Japão, estão também a ser preparadas novas medidas de estímulo à economia.