Carlos Carreiras confia em Rui Rio para travar outra maioria socialista

O autarca considera que o PSD deve focar-se nos “indecisos e nos que acham que não devem ir votar”.

António d'Orey Capucho
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Carlos Carreiras Daniel Rocha

O presidente da Câmara Municipal de Cascais, crítico no passado da actuação do presidente do PSD, elogiou nesta terça-feira a prestação de Rui Rio no debate entre com António Costa, considerando que mostrou que é possível travar uma maioria socialista. O elogio foi proferido ainda antes da cerimónia de apresentação dos candidatos do PSD do círculo eleitoral de Lisboa, que ocorreu ao final da tarde, em Cascais, embora essa informação não constasse da agenda oficial do presidente social-democrata.

“Pelo que me foi possível ver no debate com António Costa, ficou claro que a opção passa pelo PSD e não pelo PS”, disse o ex-vice-presidente do PSD durante a direcção de Pedro Passos Coelho. “Valorizo bastante o debate que ontem [segunda-feira] houve entre Rui Rio e António Costa e penso que Rui Rio demonstrou bem as diferenças de uma opção e de outra”, disse.

E prosseguiu: “Falamos muitas vezes das contas públicas e do défice público, mas o que estamos a herdar é um défice brutal de desinvestimentos, em que a carga fiscal nunca esteve tão elevada como está hoje e, acima de tudo, temos a percepção que o que foi a solução socialista, nomeadamente no tempo do engenheiro Sócrates, que foi duplicar a dívida nacional, essa margem hoje já não existe”.

“A haver um problema que se coloque ao país o país está com menos ferramentas para poder reagir, o que quer dizer que o sofrimento dos portugueses voltará a acontecer e com uma intensidade muito superior, o que não é justo”, referiu.

O autarca considera que o PSD deve focar-se nos “indecisos e nos que acham que não devem ir votar. A mensagem deve ser muito direccionada para alertar para os perigos de estarmos no dia 7 com uma super maioria de esquerda, com implicações na nossa vida fortes”. E avançou: “Já não estamos a votar para uma legislatura de quatro anos, mas para um atraso do país de 50 anos”.

Carlos Carreiras, ex-vice-presidente do PSD no tempo de Pedro Passos Coelho, foi o coordenador autárquico nas últimas eleições locais, na sequência das quais o anterior líder social-democrata anunciou que não se recandidataria à presidência do PSD. O autarca apoiou Pedro Santana Lopes na corrida à liderança do PSD, ganha por Rui Rio.

Em Agosto do ano passado, num artigo publicado no jornal i, criticou a actuação de Rui Rio, perguntando: “Onde anda o PSD, o seu líder e os seus vice-presidentes? Emigraram, já deitaram definitivamente a toalha ao tapete e apenas criticam e fazem oposição aos anteriores dirigentes do PSD?”.