Opinião

Cartas ao director

O “povo de esquerda” e as sondagens

Pelas conversas que tenho tido com várias pessoas, de várias sensibilidades, que considero no espectro da esquerda política, já cheguei a algumas conclusões em relação às próximas eleições. Curiosamente estas conclusões coincidem com as ultimas sondagens conhecidas. Como são de esquerda, todos querem que ela ganhe, porém, a maior parte não quer que o PS tenha maioria absoluta; por outro lado, também não querem que o BE tenha mais do que 10% dos votos e que, portanto, se mantenha o equilíbrio actual entre os dois partidos. Todos têm pena se a CDU descer muito e gostariam que não perdesse muita força parlamentar e social. Em relação ao Livre, gostariam que entrasse um deputado por Lisboa, para testar a sua originalidade e o seu contributo politico real. Em relação aos partidos da direita não vêem com bons olhos uma descida acentuada do PSD para não abrir a porta ao aparecimento de forças extremistas de direita no Parlamento. Quanto ao PAN todos acham que é bom haver mais um partido ecologista, independente do PCP, mas não querem que venha alterar muito a correlação de forças no hemiciclo, até porque ninguém percebe bem o seu ideário político e, por isso, de que lado está da barricada. No fundo o chamado “povo de esquerda” quer que tudo fique mais ao mesmo na mesma, o que é curioso, mas prova também que a experiência dos últimos quatro anos foi considerada equilibrada e produtiva.

José Carlos Palha, Vila Nova de Gaia

Abstenção não aumentou

Ao  contrário do que se refere no (interessante) artigo que abre o PÚBLICO de ontem sobre sondagens - e que tem sido afirmado por inúmeros órgãos  de  comunicação social -, nas últimas eleições europeias não se atingiu o pico da abstenção. Se se entrar em linha de conta com todos os dados, até se verificou, em Portugal, uma tendência para a diminuição da abstenção. A questão está nos eleitores portugueses no estrangeiro, que passaram de 244 mil inscritos em 2014 para 1.441 mil em 2019, uma vez que todos passaram a estar automaticamente inscritos e não apenas aqueles que o quiseram fazer. Não é pois possível comparar os dados dos eleitores no estrangeiro. E, relativamente aos eleitores em Portugal, verificou-se uma diminuição da taxa de abstenção de 65,34% em 2014 para 64,68% em 2019. Continua a ser alta, mas diminuiu.

Manuel Arons Carvalho, Alfornelos  

E assim vamos cantando e rindo...

É curiosa esta obsessão da generalidade dos comentadores e políticos com as fragilidades do PAN, em vez de discutir seriamente as questões ambientais que estão, queira-se ou não, na primeira ordem do dia. É um bocadinho como insistir em discutir o uso de capacete nas trotinetes sempre que se debate o caos da utilização automóvel nas grandes cidades e a sinistralidade rodoviária.

Fernando José Carvalho, Porto