Infarmed ordena retirada do creme regenerador de mamilos da marca D’Aveia

O Infarmed pede aos consumidores que possuam o creme “D’Aveia Regenerador de Mamilos” que não o utilizem.

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daniel rocha/ Arquivo

A Autoridade Nacional do Medicamentos e Produtos de Saúde (Infarmed) mandou suspender esta segunda-feira a venda e retirar do mercado o creme “D'Aveia Regenerador de Mamilos”, porque este possui um conservante, um antimicrobiano cujo uso é proibido há quatro anos em vários produtos cosméticos na União Europeia.

A presença do conservante triclosan neste creme específico foi detectada pelo Infarmed numa operação de rotina a vários cosméticos. Proibido desde 30 de Julho de 2015 em produtos como este, o conservante é, porém, permitido numa série de outros produtos cosméticos, sabonetes, desodorizantes, pastas dentífricas, ainda que numa concentração reduzida, de até 0,3%.  

O comunicado do Infarmed justificava a retirada do mercado e a suspensa imediata da comercialização alegando “que o uso deste produto pode colocar em risco a saúde humana” e avisou as entidades que dispõem de unidades deste produto que as devem devolver. Recomendou ainda aos consumidores que possuam este creme que não o utilizem.

​A retirada de triclosan de alguns tipos de produtos foi decidida pelo Comité Científico da Segurança dos Consumidores da Comissão Europeia, que avaliou a utilização continuada do conservante e concluiu que havia um grau elevado de exposição global, tendo em conta o potencial efeito acumulado do uso de diferentes produtos com este conservante em simultâneo e decidiu assim baixar a sua concentração em alguns e proibir noutros, explicou uma fonte do Infarmed ao PÚBLICO. 

O creme regenerador agora retirado do mercado é usado por mulheres que estão a amamentar para proteger a pele dos mamilos. É fabricado pela empresa portuguesa Dermoteca, que “foi fundada em 1994 pela farmacêutica Dra. Cristina Varanda” e representa laboratórios europeus e norte-americanos, segundo se lê na página da empresa na Internet. A D´Aveia é uma das marcas desta empresa a quem o PÚBLICO pediu esclarecimentos sobre a presença do conservante no creme regenerador de mamilos, mas não obteve resposta em tempo útil.

Em Agosto de 2014, a Deco Proteste explicava já que a concentração limite de triclosan permitida pela legislação europeia em produtos cosméticos era de até 0,3%,  à excepção dos elixires bucais em que o limite é de 0,2 por cento. “É menor do que nas pastas de dentes porque, como o contacto com as mucosas é maior, aumenta a absorção e a probabilidade de ingestão desse ingrediente”, especifica a Deco em nota.

“De acordo com os estudos, a nossa exposição global é menor no caso dos sabonetes de mão e corporais, dos géis de banho, dos desodorizantes, dos produtos para limpeza de unhas (antes da aplicação de unhas artificiais) e dos pós e cremes faciais. Por isso, a concentração de triclosan pode ir até 0,3%”, acrescentava a Deco, sublinhando que, “para lavar as mãos, há soluções sem triclosan eficazes na remoção das bactérias”. com Lusa