EUA ponderam resposta militar a ataque às instalações petrofíferas sauditas, diz Trump

Preço do petróleo subiu 20% em segundos, mas baixou logo de seguida. Analistas dizem que a produção saudita pode demorar meses a recuperar. Serviços secretos americanos dizem que os drones saíram do Irão, não do Iémen.

Arábia Saudita
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Imagens tiradas após o ataque às instalações petrolíferas da Aramco, em Abqaiq Reuters/Planet Labs Inc

O Presidente Donald Trump disse que os Estados Unidos têm as armas “prontas a disparar” para responder ao ataque a dois campos petrolíferos sauditas. Acrescentou que está à espera que a Arábia Saudita confirme a autoria dos bombardeamentos que Washington acredita ter partido do Irão.

“As reservas de petróleo da Arábia Saudita foram atacadas. Há motivos para acreditarmos que sabemos de quem é a culpa e se isto for validado estamos prontos para disparar. Mas estamos à espera de notícias da Arábia Saudita sobre quem eles pensam que realizou o ataque, para vermos como vamos proceder”, escreveu Trump no Twitter.

O ataque aos dois campos petrolíferos, um deles responsável por metade da produção do país que fornece 10% do petróleo mundial, foi reivindicado pelos rebeldes huthi do Iémen, em retaliação pela participação da Arábia Saudita na guerra civil no país. Os huthi, xiitas, são apoiados pelo Irão. Os sauditas apoiam o Presidente sunita deposto.

Horas antes da sua declaração no Twitter, Trump autorizou o recurso às reservas de petróleo, “caso seja necessário”, para estabilizar os mercados de energia após o ataque às instalações da Arábia Saudita.

Segundo o Presidente norte-americano, apenas a autorização poderia ajudar a evitar um aumento nos preços do petróleo, após o ataque ter levado à suspensão de mais de 5% da produção diária de petróleo bruto do mundo.

No domingo, o barril de petróleo Brent estava a ser negociado a 70,98 dólares em Nova Iorque. Nesta segunda-feira, e em segundos, diz a Bloomberg, o preço subiu 20%, a maior subida desde os anos de 1980. O preço desceu 10% logo a seguir.

Os analistas dizem que os ataques vão perturbar o fornecimento mundial e os preços e que a situação será mais ou menos grave de acordo com o tempo que os sauditas levarem a recuperar as instalações e o fornecimento. Duas fontes da Reuters disseram que a Aramco, a petrolífera estatal saudita, pode demorar “meses” a recuperar. 

O Governo dos EUA publicou imagens satélite que, segundo fontes dos serviços secretos citados pelo New York Times, mostram pelo menos 19 zonas de impacto dos mísseis disparados pelos drones. É com base nessas imagens, e no trajecto dos disparos, que Washington atribui a responsabilidade do Irão - segundo os serviços secretos, foram disparados a partir da região Norte do Golfo Pérsico, e não do Iémen, localizado a Sul da Arábia Saudita.

“Foi o Irão. Os huthis estão a reivindicar os méritos por uma coisa que não fizeram”, disse à ABC um alto funcionário da Administração Trump.

O Irão negou qualquer envolvimento nos ataques, denunciando as “mentiras” do Governo americano.