Rivera propõe abstenção a Casado para investir Sánchez

Líderes do Cidadãos e Partido Popular vão reunir-se esta segunda-feira para oferecer uma solução constitucionalista ao PSOE, mediante o cumprimento socialista de três compromissos. Sánchez diz que já os cumpre e não vê obstáculos para a abstenção da direita.

,Artigo 155 da Constituição Espanhola de 1978
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Albert Rivera, líder do Cidadãos EPA/CHEMA MOYA

A solução para o impasse político em Espanha pode vir, afinal, da direita. Face à falta de entendimento entre Partido Socialista (PSOE) e Unidas Podemos, tendo em vista a viabilização de um governo socialista, Albert Rivera veio propor esta segunda-feira uma “solução de Estado” que permita a investidura de Pedro Sánchez e evite a realização de novas eleições, em Novembro.

A proposta do líder do Cidadãos, que se reunirá esta tarde com Pablo Casado, dirigente máximo do Partido Popular (PP), passa pela abstenção conjunta da direita numa votação de investidura, que permitiria ao Congresso dar luz verde a um governo minoritário socialista.

Em resposta, o presidente do Governo em funções deu o seu apoio a essa solução, sublinhando que já a vem proposto há vários meses. “Não há nenhum obstáculo real para que se abstenham, é o que lhes temos vindo a pedir desde o passado 28 de Abril [dia das legislativas]”, reagiu Sánchez. “Não se trata de apoiarem um governo socialista, mas de facilitarem a sua formação, para que evitemos a repetição eleitoral”

Mas o possível levantamento do “cordão sanitário” que a direita impôs ao PSOE aquando do agendamento das eleições de Abril – vencidas pelos socialistas, sem maioria – depende, no entanto, do cumprimento de três “compromissos”, que Rivera diz “que ninguém que queira bem a este país pode estar contra”.

O líder dos liberais espanhóis exige que Sánchez rompa os acordos com os nacionalistas bascos do EH Bildu para o governo de Navarra, que autorize a criação de uma mesa de negociação para voltar a aplicar o artigo 155.º da Constituição na Catalunha – caso o governo catalão não cumpra as sentenças do processo independentista catalão, que serão reveladas em Outubro – e que se comprometa a não subir os impostos. 

“O que peço a Sánchez é um compromisso com Espanha e com a economia espanhola”, afirmou Rivera, numa intervenção, esta segunda-feira, na sede do partido. Sánchez, por seu lado, garante que sempre cumpriu as exigências em causa.

Se todos os envolvidos aceitarem a proposta de Albert Rivera, Espanha pode vir a ter Governo ainda esta semana. Basta, para tal, que os líderes de PP, Cidadãos e PSOE dêem conta desse entendimento na terça-feira, quando acudirem ao Palácio da Zarzuela para se reunirem, individualmente, com Felipe VI.

A mudança de postura de Cidadãos – o único partido em queda nas sondagens – ao fim de meses de indisponibilidade para ser solução, surge no mesmo dia em que o rei de Espanha inicia a derradeira ronda de consultas aos líderes dos partidos com representação parlamentar, antes de decidir se permite o agendamento de nova votação de investidura – Sánchez falhou a primeira, em Julho – ou se avança para a marcação das quartas eleições em quatro anos e as segundas em sete meses.

Fechada durante muito tempo a porta a um entendimento entre o PSOE e os partidos à direita, o foco da estratégia dos socialistas tem passado por negociações à esquerda, com o Unidas Podemos.

O diálogo chegou, no entanto, a uma situação de impasse, devido às divergências entre uma e outra força política, quanto à participação da coligação liderada por Pablo Iglesias no Governo.