A dois dias das eleições, Governo israelita organiza conselho de ministros na Cisjordânia

Há duas décadas que a reunião governamental não era realizada nos territórios ocupados.

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Apoiantes do Likud durante a campanha eleitoral em Israel Reuters/AMMAR AWAD

O Governo israelita realizou este domingo um conselho de ministros num colonato ilegal na Cisjordânia, a poucos dias das eleições legislativas que são fundamentais para o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

O tema que dominou a reunião foi a promessa, feita esta semana, de que Israel irá anexar o Vale do Jordão e outros territórios palestinianos ocupados. O anúncio e a marcação de um conselho de ministros para a Cisjordânia, algo que não acontecia há mais de duas décadas, segundo o Guardian, estão a ser interpretados como tentativas de última hora de Netanyahu atrair o voto dos sectores ultra-conservadores.

A anexação do Vale do Jordão, um vasto território que se estende desde o Mar Morto, no sul, até à cidade de Beit Shean, a norte, “garante que o Exército [israelita] irá aqui ficar para sempre”, afirmou Netanyahu.

A promessa de Netanyahu foi condenada internacionalmente por tornar praticamente impossível a constituição de um futuro Estado palestiniano. Nos territórios ocupados por Israel moram actualmente 2,5 milhões de palestinianos, sob um regime militar que lhes limita fortemente os seus direitos e liberdades.

A reunião decorreu no colonato Mevo’ot Yericho, uma das ocupações ilegais estabelecida em 1999, onde hoje moram 30 famílias, a maioria das quais em auto-caravanas, segundo o Haaretz. Netanyahu também prometeu legalizar o colonato depois das eleições.

Minado por acusações de corrupção e ameaçado pela possibilidade de vir a responder por elas em tribunal, Netanyahu enfrenta eleições legislativas na terça-feira que prometem ser disputadas ao milímetro. As sondagens mostram o Likud, de Netanyahu, e a Lista Azul e Branca, do antigo chefe do Exército, Benny Gantz, em situação de empate técnico.

O cenário mais provável é que as eleições não produzam um vencedor claro e obriguem a um longo processo negocial em que o apoio dos partidos mais pequenos será fundamental. A entrada do conflito israelo-palestiniano na campanha beneficia Netanyahu, que pretende encontrar aliados na direita nacionalista. O partido Poder Judeu, que defende a expulsão dos árabes de Israel, deverá entrar no Parlamento e poderá integrar uma coligação com o Likud. Por outro lado, também se espera que os partidos árabes consigam bons resultados por se terem voltado a juntar num bloco eleitoral, tal como em 2015.

É a segunda vez em cinco meses que os israelitas vão a eleições. Depois de não ter conseguido formar uma coligação com os partidos de direita, Netanyahu decidiu, de forma inédita, propor a dissolução do Parlamento para forçar eleições antecipadas.