Filipe Ferreira

Nas mãos de Mónica Garnel,
Antígona é uma vertigem

Espectáculo de abertura da temporada do Teatro Nacional D. Maria II, a tragédia encenada por Mónica Garnel estará em cena de 14 de Setembro a 6 de Outubro. Uma queda livre nos desmandos do poder e na luta de uma mulher por justiça e dignidade.

Não é especialmente original ou singular que um novo líder tente impor de imediato a sua lei, afirmando o seu poder e tornando claro que quem lhe fizer frente não terá um destino radioso. Ainda escorre o sangue e ainda se faz a contagem dos corpos tombados sem vida na sequência do combate que opôs mortalmente dois irmãos na luta pelo reino de Tebas, ainda o choque de descobrir familiares sem um fio de respiração se abate sobre a população, e já Creonte ascende ao trono e faz saber que só permitirá prestar honras fúnebres a um dos seus sobrinhos mortos em combate: Etéocles deverá ser sepultado com toda a justiça e “terá a honra devida aos mortos”; Polinices, vindo de Argos, não poderá ser enterrado ou sequer chorado. “E agora, sem túmulo ou lamentos”, desespera Antígona, irmã de ambos e de Ismena, todos filhos de Édipo, “[Polinices] será um repasto bem-vindo para as aves de rapina.”