Como dormiste esta noite?

Se para os cidadãos da Antiguidade o sal era um luxo tão importante como o ouro, nos nossos tempos o sono não só é um luxo, como é sinónimo de êxito e bem-estar pessoal. Portanto, devemos assegurar que dormimos bem, custe o que custar.

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Krista Mangulsone/Unsplash

Mark Zuckerberg, cansado de ver a esposa, Priscilla Chan, sofrer por não conseguir ter um sono apropriado, decidiu utilizar a tecnologia para combater o problema, fazendo surgir a Zucklight, um cubo de madeira desenhado por Greg Hovanisyan, da Premiere Electronics, que emite uma luz leve de uma determinada cor, durante períodos específicos da noite, para avisar se podemos voltar a dormir ou se é hora de acordarmos.

Não sei se a Zucklight é eficaz ou não, mas a verdade é que acompanha uma indústria em crescimento, a chamada indústria do sono, que visa combater os distúrbios do mesmo, claramente em crescimento exponencial pela forma como a sociedade moderna vive.

Esta indústria já gera milhões de euros, tendo seduzido fabricantes de colchões e almofadas, a indústria farmacêutica, hotéis dedicados a retiros de cura do sono e empresas de tecnologia que nos inundam com os seus monitores e sensores de sono.

Se para os cidadãos da Antiguidade o sal era um luxo tão importante como o ouro, nos nossos tempos o sono não só é um luxo, como é sinónimo de êxito e bem-estar pessoal. Portanto, devemos assegurar que dormimos bem, custe o que custar.

Possuir uma boa higiene do sono é fundamental para manter o corpo são em mente sã, melhorando a produtividade que o mundo do trabalho tanto exige e a qualidade de vida em geral, a nossa e a de todos os que convivem connosco.

Bons empregadores deveriam, aliás, estimular os descansos dos seus funcionários, estimulando desta forma uma gestão mais eficiente dos recursos humanos, que vão seguramente cometer menos erros e tomar decisões mais translúcidas, precisas e competentes. Deveriam também ter um cuidado mais adequado na forma como escalam os turnos que deixam tantas pessoas à beira da exaustão, por não conseguirem conciliar o sono com tantas mudanças na rotina semanal.

No final, é o sistema de saúde quem acaba por perder dinheiro e a pessoa que vê a vida e a saúde degradadas, década após década. Por sua vez, a empresa continua a vida útil com “sangue novo”, não percebendo o quão errada, pouco sustentável e eficiente para a sua economia e para a do país é este tipo de gestão danosa dos recursos humanos.

O bestseller de Arianna Huffington, A Revolução do Sono, fala sobre a necessidade de dormir bem para recuperar o comando das nossas vidas. Se és daqueles que não perde uma Ted Talk sobre os temas que te despertam curiosidade, aconselho-te a de Arianna Huffington “How to suceed: get more sleep!”.

Mas e o que nos diz a Ciência quando, durante tantos anos, sobretudo na década de 80, tantos supra-sumos da liderança mundial e nacional nos vieram dizer que dormir era uma perda de tempo e estimularam tantas pessoas a fazer turnos nocturnos?

O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) diz-nos que dormir bem ajuda à plasticidade cerebral, isto é, à capacidade do nosso cérebro se reestruturar e recuperar, sendo que quem dorme mal prejudica a sua saúde física e mental, acelerando os processos que levam à morte.

Não podemos esquecer quem são os grandes ladrões do sono para os podermos combater. Na era “smart-tudo”, devemos estar atentos à utilização que fazemos dos telemóveis e da televisão, com a oferta tão grande de séries que nos agarram nos momentos antes de dormir, e afastar todos os ecrãs, pelo menos meia hora antes de nos deitarmos.

É importante não esquecer, neste combate, a inexistência de uma hora específica para nos deitarmos, já para não falar na incorrecta ingestão de açúcares uma hora antes de dormir.

Como dormiste esta noite? Garante e luta para que a tua resposta varie sempre entre “bem” ou — melhor ainda — “muito bem!”